
Tenho observado as pressões ideológicas sobre as personas constituídas por uma sombra de diversas contradições. No atual cenário, quando não há honradez, difícil fica a defesa de quaisquer candidatos à direção dos coletivos. A política, que deveria representar a disputa por projetos de sociedade, parece, muitas vezes, reduzir-se à disputa entre aqueles que reivindicam para si a legitimidade de conduzir os demais. Nesse jogo, as cores partidárias identificam os lados, mas nem sempre revelam as práticas que os aproximam.
Embora o Partido dos Trabalhadores (PT) e sua principal liderança, Luiz Inácio Lula da Silva, tenham construído uma trajetória relevante na luta sindical, no processo de redemocratização e na ampliação de direitos sociais, essa história também é atravessada por escândalos políticos, denúncias de corrupção e contradições entre os princípios defendidos e as práticas de integrantes do partido. Reconhecer as conquistas históricas do PT não significa ignorar suas responsabilidades políticas; da mesma forma, reconhecer os problemas de seus adversários não significa desconsiderar os que envolvem o próprio partido. O que está em questão é justamente a seletividade com que julgamos os acontecimentos conforme as cores daqueles que os protagonizam.
Em 2004, veio a público o caso Waldomiro Diniz, após a divulgação de um vídeo gravado em 2002, quando ele presidia a Loterj, no qual aparecia uma negociação envolvendo cobrança de propina e solicitação de recursos para campanhas eleitorais. Em 2005, o escândalo do mensalão expôs um esquema de pagamentos a parlamentares em troca de apoio político no Congresso Nacional, denunciado publicamente pelo deputado Roberto Jefferson. Em 2006, o episódio dos aloprados envolveu integrantes ligados à campanha de reeleição de Lula que tentaram comprar um dossiê contra adversários políticos, entre eles José Serra e Geraldo Alckmin.
Esses episódios não podem ser tratados apenas como manchas isoladas na trajetória de um partido. Eles expõem a distância entre o discurso de transformação política e as práticas utilizadas para sustentar alianças e conquistar apoio. Quando a disputa pelo poder passa a admitir mecanismos que contradizem os princípios anunciados, a questão deixa de ser apenas quem cometeu determinada irregularidade e passa a envolver a própria maneira de fazer política.
Em 2006, Antonio Palocci deixou o Ministério da Fazenda em meio a denúncias relacionadas à frequência a uma casa em Brasília e a suspeitas de quebra de sigilo bancário. Em 2011, já no governo Dilma Rousseff, renunciou à chefia da Casa Civil após questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio. Naquele mesmo ano, outros ministros deixaram o governo após denúncias de irregularidades, entre eles Alfredo Nascimento, dos Transportes, e Wagner Rossi, da Agricultura. A sucessão desses episódios contribuiu para o desgaste da imagem de um governo que também se apresentava como portador de mudanças. A contradição entre o projeto político anunciado e as práticas de integrantes do governo passou a alimentar a desconfiança pública.
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do mensalão, condenando diversos réus por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Em 2014, a Operação Lava Jato revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras, empreiteiras, agentes públicos e políticos de diferentes partidos, inclusive do PT. Em 2015, João Vaccari Neto, então tesoureiro do partido, foi preso preventivamente no âmbito da operação, e José Dirceu voltou a ser preso. A sucessão desses acontecimentos aprofundou o desgaste do PT e fortaleceu o discurso de que seria necessário retirar do poder aqueles que haviam prometido combater as práticas tradicionais da política brasileira.
Mas a indignação diante da corrupção não se desenvolve em um vazio ideológico. Ela também é disputada, direcionada e mobilizada por interesses políticos. Quando a responsabilização de alguns passa a representar a esperança de uma renovação moral, corre-se o risco de confundir a punição de determinados agentes com a transformação das estruturas que permitem a reprodução das mesmas práticas. Afinal, se a política continua dependente de acordos, alianças e interesses que ultrapassam as fronteiras partidárias, a troca de seus protagonistas não garante, por si só, a mudança do jogo.
Em 2016, Dilma Rousseff sofreu impeachment, aprovado pelo Senado Federal sob a acusação de crime de responsabilidade relacionada a decretos de créditos suplementares e às chamadas pedaladas fiscais. O processo permaneceu objeto de controvérsia política e jurídica. Naquele contexto, o PT enfrentava forte desgaste público, enquanto o antipetismo se ampliava e criava condições para a ascensão de lideranças que se apresentavam como alternativas à política tradicional. As pedaladas fiscais passaram a ocupar o centro de uma disputa que não se limitava à interpretação jurídica dos atos presidenciais: envolvia também a legitimidade do governo, os interesses em disputa e a possibilidade de reorganização do poder político.
A prisão de Lula, em abril de 2018, aprofundou esse cenário. Condenado no caso do tríplex do Guarujá, ele permaneceu preso por 580 dias. Posteriormente, em 2021, o STF confirmou a anulação das condenações por incompetência da Justiça Federal de Curitiba e, em decisão distinta, manteve o reconhecimento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro no processo do tríplex. Essas decisões restabeleceram os direitos políticos de Lula, mas não equivaleram a uma absolvição de mérito de todas as acusações. A distinção importa porque a crítica política não deve se sobrepor à precisão jurídica. Ao mesmo tempo, o episódio revela como os processos judiciais podem adquirir consequências políticas profundas e como a confiança nas instituições depende também da observância das garantias legais.
É nesse ambiente de desgaste e desconfiança que se deve compreender a ascensão de Jair Messias Bolsonaro. Sua trajetória política, marcada por posições conservadoras, declarações controversas e manifestações de admiração pela ditadura militar, encontrou ressonância entre setores da população insatisfeitos com o PT, temerosos da violência urbana e descrentes das instituições políticas. Bolsonaro apresentou-se como uma alternativa moralizadora, associando sua candidatura ao combate à corrupção, à defesa da família, à segurança pública e à rejeição da esquerda.
A promessa de renovação, entretanto, não surgiu sem contradições. Em 1986, Bolsonaro foi preso por quinze dias após criticar os salários dos militares em um artigo publicado na imprensa. Em 1987, foi acusado de participar de um plano para explodir bombas em instalações militares; o Superior Tribunal Militar acabou por absolvê-lo por insuficiência de provas. Já como parlamentar, tornou-se conhecido por declarações discriminatórias contra pessoas LGBTQIAP+ e por sua oposição a iniciativas educacionais de combate à homofobia. Em 2014, dirigiu à deputada Maria do Rosário uma declaração ofensiva relacionada à violência sexual, episódio que resultou em condenação civil por danos morais e em processo criminal no Supremo Tribunal Federal.
Esses episódios ajudam a compreender uma contradição central da política brasileira: a imagem de renovação moral pode ser construída sem que as práticas, as declarações e os valores de quem a reivindica sejam examinados com o mesmo rigor aplicado aos adversários. O discurso de defesa da família, da ordem e dos bons costumes não elimina a necessidade de confrontar as ações concretas com os princípios anunciados. Afinal, a moralidade política não se sustenta apenas naquilo que alguém afirma defender, mas também na maneira como trata os outros e compreende os limites do próprio poder.
Em 2018, Bolsonaro venceu a eleição presidencial, em uma disputa na qual Lula, então líder nas pesquisas eleitorais, foi impedido de concorrer após o indeferimento de seu registro pelo Tribunal Superior Eleitoral. Fernando Haddad assumiu a candidatura do PT. A eleição foi marcada pelo antipetismo, pela força das redes sociais, pelo discurso anticorrupção e pela mobilização de setores conservadores. A vitória de Bolsonaro expressou, entre outros fatores, a insatisfação de parte da população com a política tradicional e a esperança de que uma nova liderança pudesse romper com as práticas que haviam alimentado a desconfiança nas instituições.
A promessa de romper com a velha política, entretanto, conviveu com a necessidade de construir alianças parlamentares. Ao longo do governo, Bolsonaro aproximou-se de partidos tradicionais e de setores do Centrão para sustentar sua base no Congresso. O discurso de renovação moral, portanto, não eliminou as práticas de negociação política que caracterizam a governabilidade brasileira. A contradição não está na existência de acordos políticos em si, necessários ao funcionamento de um sistema representativo, mas na distância entre a retórica de ruptura e a reprodução de mecanismos que antes eram apresentados como sinais de decadência política.
O governo também foi marcado por controvérsias envolvendo familiares do presidente. Entre elas esteve o caso das chamadas rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual no Rio de Janeiro, no qual Fabrício Queiroz foi apontado como operador financeiro de um suposto esquema de recolhimento de parte dos salários de assessores. A investigação envolveu questionamentos sobre movimentações financeiras, nomeações e transações imobiliárias. Contudo, a denúncia contra Flávio foi rejeitada pela Justiça do Rio em 2022, após decisões do STJ e do STF invalidarem elementos de prova utilizados na acusação. Portanto, o caso não pode ser apresentado como uma condenação criminal de Flávio.
Ainda assim, a repercussão política do episódio expõe a fragilidade de discursos que reivindicam superioridade moral enquanto os próprios círculos de poder estão sob questionamento. A crítica, nesse caso, não depende de converter suspeitas em culpa comprovada, mas de reconhecer que a coerência entre discurso e prática precisa ser examinada de maneira permanente, com respeito às garantias jurídicas e sem privilégios decorrentes de alianças políticas.
Em abril de 2020, Sergio Moro, que havia aceitado o convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, deixou o governo acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. A ruptura evidenciou que a aproximação entre o juiz responsável pela condenação de Lula e o presidente eleito em 2018 não constituía uma aliança permanente. Também intensificou o debate sobre a relação entre Judiciário, governo e imparcialidade institucional. Mais uma vez, a disputa política revelou que alianças construídas em nome de objetivos comuns podem se desfazer quando entram em conflito interesses e concepções sobre o exercício do poder.
A pandemia de covid-19 aprofundou as controvérsias sobre o governo Bolsonaro. A CPI da Pandemia, instalada no Senado em 2021, investigou a atuação federal diante da crise sanitária, incluindo a aquisição de vacinas, o incentivo a medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença e a condução das políticas públicas. Ao final, a comissão recomendou o indiciamento do presidente e de outras pessoas por diferentes infrações. Essas recomendações não equivalem a condenações judiciais, mas os acontecimentos colocaram em debate a responsabilidade política diante de uma crise que atingiu a vida de milhões de brasileiros.
É nesse ponto que a discussão sobre moralidade deixa de ser apenas uma disputa entre grupos políticos. Quando decisões governamentais envolvem a saúde, a segurança e as condições de vida da população, suas consequências não podem ser reduzidas à conveniência partidária. A responsabilidade pública exige que discursos e ações sejam confrontados com seus efeitos concretos, sobretudo quando vidas humanas estão em jogo.
Posteriormente, investigações também examinaram a entrada de joias recebidas de autoridades estrangeiras e as tentativas de incorporá-las ou comercializá-las fora dos procedimentos de registro e destinação do patrimônio público. Esses episódios ampliaram os questionamentos sobre a coerência entre o discurso moralizador e as práticas de integrantes do governo e de seu entorno. Mais uma vez, a questão que atravessa o ensaio não é apenas a existência de denúncias, mas o modo como os valores proclamados são submetidos — ou deixam de ser submetidos — ao exame público.
A derrota eleitoral de Bolsonaro para Lula, em 2022, não encerrou o conflito político. Ao contrário, a contestação do resultado eleitoral e os acontecimentos posteriores levaram a novas investigações. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral declarou Bolsonaro inelegível por oito anos, a partir das eleições de 2022, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores em que atacou, sem provas, a confiabilidade do sistema eleitoral. Essa decisão eleitoral deve ser distinguida da condenação criminal posterior.
Em 2025, o STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão no processo relativo à trama golpista. A Primeira Turma concluiu, por quatro votos a um, que ele era responsável por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros. Após o esgotamento dos recursos pertinentes, a condenação tornou-se definitiva. Esses acontecimentos introduzem uma dimensão decisiva na análise: a disputa pelo poder pode ultrapassar a competição eleitoral e colocar em questão a própria continuidade das regras democráticas. A defesa da ordem, quando se volta contra os mecanismos que legitimam a escolha popular, deixa de ser apenas uma promessa política e passa a revelar uma contradição fundamental.
A atuação do Supremo nesses episódios suscita questões importantes. No caso de Lula, o Tribunal anulou condenações por razões processuais e reconheceu a parcialidade do juiz no caso do tríplex. No caso de Bolsonaro, a Primeira Turma examinou as provas de uma ação penal e concluiu por sua responsabilidade criminal na trama golpista. Os resultados tiveram consequências políticas expressivas, mas não são juridicamente equivalentes. Uma análise consistente precisa considerar os fundamentos de cada decisão, as garantias processuais, as provas e os votos dos ministros, sem pressupor que toda decisão favorável a um campo político seja fruto de articulação partidária ou que toda decisão desfavorável ao outro seja necessariamente imparcial.
É justamente essa distinção que permite sustentar uma crítica sem transformá-la em mera disputa de versões. Não se trata de afirmar que todos são iguais, nem de escolher quais irregularidades merecem indignação conforme a identidade política de seus protagonistas. Trata-se de questionar por que a responsabilização parece ganhar força em determinadas circunstâncias e perder relevância em outras, enquanto a população é convocada a escolher entre projetos que frequentemente se apresentam como moralmente opostos.
É nesse cenário que a trajetória de Flávio Bolsonaro assume relevância. Sua carreira política começou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde exerceu mandatos de deputado estadual, e prosseguiu no Senado Federal, para o qual foi eleito em 2018. Sua trajetória reúne controvérsias relacionadas ao exercício de cargos públicos, às investigações sobre as rachadinhas e às relações políticas de seu entorno. No caso das rachadinhas, entretanto, as provas que sustentavam a denúncia foram invalidadas, e o processo foi arquivado em 2022.
Em 2026, Flávio passou a ocupar lugar de destaque na disputa pela continuidade política do bolsonarismo, apresentando-se como candidato à Presidência da República. Sua candidatura traz consigo tanto a herança política de Jair Bolsonaro quanto os questionamentos que cercam sua própria trajetória. Em uma investigação noticiada em 2026 sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção biográfica sobre Jair Bolsonaro, surgiram suspeitas relativas a repasses financeiros e a possíveis irregularidades. Essas apurações precisam ser tratadas como investigações em curso, e não como prova definitiva de crime.
A presença de Flávio nessa disputa também evidencia como a política brasileira se organiza em torno de heranças, alianças e projetos de continuidade. A alternância de poder não significa necessariamente a superação das práticas anteriores; por vezes, ela se apresenta como a substituição de personagens dentro de uma estrutura que permanece. É nesse movimento que as cores partidárias podem funcionar como fronteiras simbólicas, ocultando aproximações entre grupos que, no discurso, parecem ocupar posições inconciliáveis.
Diante de toda essa trama política, minha atenção se volta aos caminhos partilhados por todos os lados, caminhos que se entrecruzam na história política deste país. E, pelo andar da carruagem, temos visto uma sucessão de disparidades e incoerências entre ação e discurso. O que vale mesmo são os acordos políticos, as continhas que nem sempre fecham, a roubalheira escancarada que revela, me desculpem, o caráter de quem governa.
Passamos a normalizar pequenas contravenções políticas, como as famosas “rachadinhas”, práticas que ocupam todas as instâncias de governo, mas não toleramos as “pedaladas fiscais” quando isso interessa a alguns, na obviedade de um golpe misógino. Do poço fundo da contravenção, onde todos estão encalacrados, acha-se por bem desenterrar os podres de alguns quando a ânsia pelo poder se torna insuportável. Os escândalos são usados como forma de alternância de poder, um jogo partidário que garante a estabilidade de uma galera insípida, localizada no centro da bagunça. E é esse centro que tem dominado o jogo. Desvios de dinheiro público destinado à merenda, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) são esquecidos quando convém.
Se passarmos o pente-fino, não sobra um. Caminhamos como trôpegos, comemorando uma eleição de bêbados. Sim, passivos à ordem do caos, iludidos pelas falsas promessas do mesmo. Entre a alternância de poder, que mantém o status de uma governabilidade corrupta, do famoso “rouba, mas faz”, e a repetição fatídica da história fascista, cuja eleição exige um salvador extremista e desumano, o povo brasileiro se assoberba no caos lamacento daquilo que nunca muda.
Beira a loucura desejar uma intervenção militar, uma ditadura da ordem, uma esperança, sinceramente, trôpega. No meio dessa loucura, cria-se uma guerra fria entre o bem e o mal. Incrédula, penso: o que essa sociedade tem entendido por bem e mal? São todos assassinos de colarinho branco, porque, toda vez que um cidadão brasileiro morre por fome, por falta de atendimento, por tiros de canhão e carabina, por ausência de políticas públicas, por descaso diante dos discursos de ódio, por misoginia, por preconceito, por discriminação, a responsabilidade recai sobre eles e suas mentiras travestidas de bem e, fatidicamente, sobre nós.
A responsabilização entra em xeque. Afinal, quem é responsável pelo caos? Nós, que não sabemos votar, que somos imputados à ignorância pela falta de acesso ao conhecimento? Eles, por se apropriarem da nossa ignomínia e nos manipularem como vermes sedentos por uma benesse? Nós, por ansiarmos ter tanto poder quanto os que lá estão, por ansiarmos ser opressores no descanso de oprimidos? Quem está mais sujo: nós ou eles?
Sim, não se pode jogar o bebê fora com a água suja, mas o que nos faz acreditar que somos o bebê ou que sabemos separar a água suja do bebê?
Talvez a saída desse caos não esteja na esperança de encontrar um salvador, tampouco na ilusão de que a alternância de poder, por si só, seja capaz de transformar a realidade. Está na construção de uma consciência crítica que nos permita reconhecer as contradições, romper com a naturalização dos privilégios e compreender que nenhuma promessa de ordem, progresso ou bem comum justifica a desumanização. Afinal, a democracia não se sustenta apenas nas urnas, mas na capacidade de uma sociedade de confrontar suas próprias contradições, responsabilizar quem exerce o poder e não se deixar seduzir por discursos que, em nome do bem, perpetuam as condições que nos mantêm atolados no mesmo lamaçal.

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