sexta-feira, 13 de abril de 2018

METODOLOGIA CIENTÍFICA 2 - RESUMOS


Kuhn se opõe a uma ciência tradicional.
1.            Realismo: conhecer o mundo real e único.
2.            Demarcação: Distinção entre ciências e outras.
3.            Ciência cumulativa: acréscimo de conhecimento novo aos já existentes.
4.            Distinção teoria e observação: as observações são independentes da teoria e servem para o seu controle.
5.            Fundamentos das hipóteses e teorias: são fornecidos pela observação.
6.            Estrutura hipotético-dedutiva das teorias.
7.            Universal de termos científicos.
8.            Contexto de justificação: É lógico e diferente de contexto de descoberta (psicológico) científico.
9.            Unificação das ciências.



CONHECIMENTO – CRISE – PROPORCIONA REVOLUÇÃO = NOVA CIÊNCIA (NORMATIZAÇÃO DA PRÁTICA CIENTÍFICA).
PARADIGMAS – DIVERSOS CONCEITOS – VISÃO DE MUNDO – CONJUNTO DE VALORES PARTILHADOS (CARÁTER RELATIVISTA) – GRUPOS DE PESQUISAS- REALIZAÇÃO CIENTIFICA (SOLUÇÃO DE PROBLEMAS).
Na hora de se fazer ciência é preciso escolher uma linha epistemológica. Não há como ser cientista sem pertencer a um grupo científico.
Substitui-se o paradigma por outro, novas maneiras de ver as coisas, novos problemas geram novos paradigmas. Redireciona o olhar cientifico e por isso se chama Revolução.
Incomensurabilidade: evidencia um caráter não cumulativo, ou seja, não há como usar termos anteriores na nova ciência. Ao retomar antigos conceitos podem não compreender a pesquisa do passado, mas essa serve para reportar historicamente e só por essa via entender a razão de conceito anterior. Taxonomia (NOME) como definição.
Exemplo:

Ciência não Cumulativa: não há comunicação entre paradigmas. Só sabemos como se chegou a uma nova teoria por meio da história. As questões mudam, por conseguinte as respostas. É a crise paradigmática, ou seja, novos conhecimentos não são a soma de anteriores.
Gestáltica: nova gestalt, nova maneira de ver o mundo dificultando a ideia anterior.

Tabela 1.1 – concepção e principais objeções a sua abordagem:

Concepção herdada da ciência positivista e normativa
Mudanças nas concepções positivistas da ciência

  • ·         Diferenciação absoluta entre fatos, valores e crenças como único modo de garantir a objetividade das teorias e de evitar o peso das ideologias.
  • ·         Correspondência absoluta entre fatos e teorias, como única forma de demonstrar o significado de uma teoria, assim como sua verdade. Nesse sentido, seria necessário distinguir entre termos observacionais e termos teóricos.
  • ·         O método científico é principalmente um modo de demonstrar a verdade de uma proposição e/ ou de uma teoria.
  • ·         Separação absoluta entre o contexto de descoberta e o contexto de justificação de uma teoria. O mais importante não é como a teoria pode ter surgido, mas o modo pelo qual foi provada sua verdade, isto é, o modo pelo qual foi justificada.
  • ·         O conhecimento científico progride por meio do acumulo de novas teorias verdadeiras com as anteriores, porque uma teoria que em algum momento foi provada como verdadeira não deixa de sê-lo pela aparição de uma nova teoria.

  • ·         A própria ciência não pode deixar de estar fundamentada em crenças e valores, já que sendo ela mesma , como é, uma atividade humana, não pode desenvolver-se  fora das circunstancias históricas em que vive o ser humano.
  • ·         A correspondência entre fatos e teorias não prova sua verdade, porque nossas observações sempre estariam reduzidas a um pequeno espaço da realidade e de nossa própria experiência sobre ela.
  • ·         O método científico não pode ser identificado com a lógica da demonstração, nem garante a verdade de uma teoria.
  • ·         Nenhuma teoria pode ser compreendida nem avaliada fora do contexto em que surgiu, pois somente desse modo podemos conhecer a natureza dos problemas a que se propõe resolver.
  • ·         O conhecimento científico não progride por acumulação, mas por mudanças sucessivas nas teorias, que representam, em muitos casos, o abandono das teorias anteriores.

Fonte: Moya Otero (1999, 44-45).

BASES DO EXISTENCIALISMO FENOMENOLÓGICO PARA A PESQUISA QUALITATIVA EM PSICOLOGIA

Ambos datam do séc. XIX, porém são teorias distintas.
É a teoria que orienta como fazer pesquisa.
A matriz maior do existencialismo está na fenomenologia, porém propõe enfoques diferentes.
Os processos sociais (atuação do homem transforma o mundo).
Os modos de organizar a vida influenciavam novos modos de pensamento.
Crise do enfoque POSITIVISTA nas ciências recém-nascidas: Sociologia, Antropologia e Psicologia.
Vygotsky fala da crise da Psicologia. Heidegger está no campo da fenomenologia e mais tarde se torna existencialista.
Na fenomenologia temos Husserl como maior expoente, já no existencialismo Heidegger e mais tarde Sartre – 2º momento pós sec. XXI.

Quadro comparativo entre Fenomenologia e Existencialismo

Fenomenologia
Existencialismo

  • ·         Interrogar os fenômenos.
  • ·         Como tomamos consciência sobre os fenômenos.
  • ·         Estudar da maneira menos ampla (mais imediata) – REDUÇÃO.
  • ·         Sem a priori de definições e teorias.
  • ·         Desconhecer antes de estudar. Permitir que ele te captasse.
  • ·         Não há controle prévio (variáveis, grupos de controle, etc.).
  • ·         Mudar a perspectiva. Ex. aprender na ótica do observado. Significados são diferentes.
  • ·         Pessoas atribuem significados prévios.
  • ·         Entender quais são os sentidos atribuídos às coisas e que não estão no campo da consciência.
  • ·         Sempre compreensíveis na totalidade.

  • ·         Seu pai foi Kierkegaard (1813-1855).
  • ·         Representado na filosofia: Nietzche, Husserl, Heidegger no Séc. XIX.
  • ·         Tem seus pressupostos no fenomenologismo, mas atem-se ao SER.
  • ·         Como o homem está no mundo. Seu modo de ser.
  • ·         Ação humana (discute a centralidade, o existir humano).
  • ·         O que determinam as escolhas e a possibilidade de “escolher”.
  • ·         Liberdade: relação dialética com poder ou não escolher.
  • ·         Conhecer as interpretações sobre o mundo. O que determina ou condiciona a nossa existência (homem-mundo).
  • ·         Estranheza da existência.
  • ·         Não existe um pensamento existencial único.

EXEMPLO DE UM ESTUDO:

“SER MÃE” + DEFICIÊNCIA

Entrevistas e aquisição dos depoimentos – técnicas.
Teoria Fenomenológica Existencial – Referencial Filosófico.
Objetivo:
Buscar o sentido na óptica da mãe, como elas se constituem no mundo  partir de seus significados. De suas vivencias e interações.
Ser com o outro; ser com o filho, “Ser mãe” (não existe um abstrato) e temporalidade.
Consciência das possibilidades e o que agiu na escolha dessas possibilidades.
Existência:
a)      Autentica – acolhe o filho = bom.
b)      Não autentica: não acolhe o filho = ruim.
Busca de descrições acerca de suas experiências.
Significados do vivido à luz da totalidade.
Unidades de significação.
a)      O que é figura e fundo?
b)      Qual o fenômeno processo?
c)      Delimitar ou abrir a lente, o recorte?
d)     O que é principal e o que é complementar?
e)      O que é possível conhecer com determinados meios e recursos?
1)      Psicologia e Educação: desenvolvimento de crianças e adolescentes.
2)      Psicologia Social: comportamento, cultura e Sociedade.
3)      Psicologia e Políticas Públicas de saúde.

METODOLOGIA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL

Como os autores raciocinam para racionalizar os dados?
·         Investigar a realidade a partir de como as pessoas experienciam a realidade.
·         Sistematizar o que é vivido.
·         Descrições de pessoas e suas vivencias.
·         Significados (luz da totalidade) do que é vivido.
·         Experiência dentro do mundo cultural e social.

UNIDADES DE SIGNIFICAÇÃO

Descrições depoimentos  e analisar esses depoimentos (momentos de entrevistas).
Fenômeno pesquisado = toda descrição.
1º Passo:
Ler a descrição do princípio ao fim. Familiarizar-se, calçar os sapatos, significados da vivencia.
Leitura flutuante – não é truncada por grifos, mas percebida livremente.

2º Passo:
Marcar trechos que se destacam. O que é prioridade. Significados como figuras ao fundo. Ressaltam-se como figuras que tem uma história da vida das pessoas.

3º Passo:
Terceira leitura do material com os significados evidenciados, buscando as Unidades de Significação. Significado comum – partes que se repetem e se complementam.
Qual insight psicológico nelas contido?
Qual a experiência psicológica que se relaciona ao fenômeno enquanto significado?

4˚ Passo˸
Um dos mais importantes. Formular uma proposição consistente referente a experiência do sujeito / fenômeno.

ESTRUTURA DA EXPERIENCIA

Síntese de todas as unidades – relações entre teoria e descrições.

CONSTRUCIONISMO SOCIAL

Da uma certa desestabilizada. Não é uma teoria, mas um movimento filosófico epistemológico. Ideia comum: “a ciência e o conhecimento que discutem teoricamente e filosoficamente o conhecimento”.
BASE FILOSÓFICA WITTGENSTEIN.
Modos de conhecer, sujeitos conhecem, sobre a ciência moderna. São estudos da filosofia da linguagem.
Hoje fala-se em:
Perspectiva construcionista social em Psicologia.
Perspectiva teórica pós-moderna.
Está em processo uma revolução do pensamento, práticas de passagens do séc. XX ao XXI.
Como o paciente é conhecido pelo seu terapeuta?
A clínica é o campo construcionista. Clínica da pós-modernidade. Marcada pelas mudanças rápidas, tecnologias, desconstruções, etc.
“Como damos sentido ao mundo que vivemos”?
Interface com a história, antropologia, filosofia e epistemologia.
Presença do Relativismo, ou seja, tudo é relativo e depende do ponto de vista. Não há verdade absoluta.

CONTEXTO DE EMERGENCIA DO MOVIMENTO CONSTRUCIONISTA SOCIAL

Tem origem na filosofia – Reação ao representacionismo (idealismo), na Política porque a ciência tem papel no empoderamento e emancipação e na Sociologia do conhecimento: pela desconstrução da retórica da verdade. Estudos de gênero.
Ancestrais da Sociologia do Conhecimento: Marx (atividade humana e consciência), Nitzche e Wilhen Dilthey.
Livro: A construção Social da Realidade (Peter Berger e Thomas Luckman).
Valorização do conhecimento de senso-comum – pessoas - cotidiano. Esse constitui o tecido de significados sem o qual nenhuma sociedade pode existir (Berger e Luckman).
Como, então, significados subjetivos que constituem o senso-comum se tornam fatos? Pela tipificação, institucionalização e socialização. Processos de conservação e transformação social.

DA SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO À PSICOLOGIA SOCIAL

Anos 50/60 - Há uma reação contra o positivismo. Contra os paradigmas dominantes do “fazer ciência”.
Anos 70 - Criticas a uma naturalização (explicar algo como se fosse natural “essência”) e individualização do fenômeno psicológico. Despolitização da Psicologia Social.
Focos: momentos de interações sociais. Processos de produção de sentidos: como eles se dão? Diferença entre sentidos e significados.
Quais processos que ocorrem para a relação de austeridade em contraste com o outro?
Kenneth Gergen bebe desses autores e propõe uma perspectiva construcional em psicologia.
Sentido nas interações sociais: como damos conta do mundo? Muda o lócus da explicação.

Relação feita a dois. O mundo é construído por nós todos e nas relações sociais.
Nós construímos o mundo no qual vivemos ao nos comunicarmos. Tudo que consideramos real é resultado de uma construção social.
“Nada é real a menos que as pessoas concordem que assim seja”.
Realidade é igual a base sempre de uma tradição ou perspectiva cultural.
Nada existe pra nós X Nada existe.

BASES CONSTRUCIONISTAS SOCIAIS: IDEIAS BÁSICAS DO CONSTRUCIONISMO

1)      O mundo que vivemos é construído pela comunicação.
2)      Pessoas constroem o mundo de forma diferente e essas diferenças são as raízes das relações sociais. São essas relações que fazem o mundo ser o que é.
3)      A base da realidade é sempre cultural e uma tradição.
4)      A linguagem é uma prática social.

REALIDADE DA MORTE
O pai morreu – foi para o céu – sempre viverá no seu coração – vive no legado de suas boas obras.
Essas realidades se colocam na linguagem que é uma forma de prática social que constrói verdades. Verdades que a cultura trás e que são verdade, porque mobilizam afetos nas pessoas e trás uma existência. Morte do sujeito (extremo) – negação da existência de um ser fluido. No caso do pai ele realmente continua vivo porque vive no coração e no legado de suas obras. Ex: Elvis Presley, Martin Luter King, etc. O construcionismo não é uma teoria psicológica.
Materialismo histórico dialético é diferente do construcionismo, pois enquanto que para Vigotsky a linguagem é um signo e um instrumento que possibilita um fim para o construcionismo a linguagem é a ação em si é a prática social. Palavras não são imagens (reflexos e signos), tão pouco instrumento mediador, elas efetuam relações.
O sentido é dado pelo momento e as interações. Exemplo: placas indicadoras de perigo como ordens, dependem da perspectiva de quem lê. Elas informam ações esperadas.
Enquanto que para um leigo banhista uma placa de Perigo: ondas altas; será entendida como um recado para seu afastamento da área, para um surfista será um convite a aventura.

TRABALHO DE CAMPO: TECNICAS – PESQUISA QUALITATIVA

Década de 60 Séc. X. – surgimento dos debates das ciências tendo T. Kuhn como expoente e autor do livro: Estrutura das Revoluções Científicas. Visibilidade da Escola de Frankfurt – teoria crítica: críticas às ciências modernas.
T Kuhn divide as revoluções científicas – paradigmas. Instaura-se a crise do paradigma positivista ou empírico lógico e um fortalecimento da pesquisa qualitativa: PARADIGMA QUALITATIVO.
FASE EXPLORATÓRIA
FASE DE CAMPO
ANALISE DE DADOS

  • ·         Elaboração do projeto – planejando o caminho. Conhecimentos produzidos sobre o tema.
  • ·         Marcos teóricos.
  • ·         Produção de pesquisa.
  • ·         Objetivos .
  • ·         Revisão bibliográfica.

  • ·         Trilhando o caminho planejado.
  • ·         Abordagens técnicas.
  • ·         Primeira vez indo a campo. “Diário de Campo”.
  • ·         Consta data/ hora/ período/ informações/ acontecimentos.

  • ·         O que encontrou no caminho?
  • ·         Analise dos significados (fenomenologia).
  • ·         Analise do conteúdo.
  • ·         Analise temática.
  • ·         Analise do Discurso (Foucalt).
  • ·         Analise da conversação e da produção de sentidos (construcionismo).

ABORDAGEM TECNICA

Observação etnográfica – vem da Antropologia. Com o tempo estabeleceu-se só dois tipos de observações:
1)      Participante
2)      Não participante.
O que determina que a observação determinada é mais interessante? É a pergunta, o fenômeno e o campo.

INTERACIONISMO (VYGOTSKY) E TEORIA SOCIAL (MARX): OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE

Todas as práticas tinham a ver com os sentidos atribuídos pelas pessoas. Interações simbólicas – dia-a-dia (aquilo que produzimos não tem peso da base material, mas das particularidades).
Origens antropológicas e sociológicas. Sócio-psico-social (pensam diferente essa relação indivíduo e sociedade). Interacionismo X Teoria de Marx.
USA, anos 20/30 – problemática social – conscientização (compreender e dar respostas) – delinquência juvenil, prostituição e criminalidade.
Não há relação direta e sim mediada. Base material para a subjetividade.
Interacionismo – diferente de entender a interação participante. Olha a realidade particular da instituição e depende da interação das pessoas daquela realidade.
Materialismo-historico-dialetico – coisas de fora determinam o que acontece dentro da instituição.
Antropologia – pesquisa grupos sociais estranhos e sua cultura (outros continentes). Povos de culturas diferentes. Mapear as diferentes possibilidades de modos de vida e produção cultural – valores, afetos, práticas, etc.
Em comum – ver o mundo através dos olhos dos pesquisados interações face a face, corpo a corpo. Mais externo, mais objetivo (neutralidade), embora não seja possível uma neutralidade em sua totalidade.
Ex: estudar prostitutas em um município de Campinas. Conhecer por dentro. O trabalho, as dimensões da vida, se é casada ou solteira.
A observação participante é olhar com o olhar do outro.

ALGUMAS DEFINIÇÕES (VÁRIOS TIPOS)

Compartilhar – consciente e sistemático (depende das circunstancias).
Cada tipo tem potenciais limitantes ou não – atividades da vida. “Livre para ver”. Não é por gosto e não há como conhecer de outra maneira a não ser mergulhar naquela realidade.
“Presença do observador para o fazer científico”. Tem um objetivo que é investigativo (no ambiente natural).
           
PARA ORGANIZAR A OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE
        
CAMPO OBSERVADO

1)      O processo na totalidade no modo como o pesquisador experiência. Olhar panorâmico, mais abrangente. Descrição do processo total. Funcionamento interno: físico e psicossocial.
2)      Partes e elementos do todo. Sobgrupos, subáreas, relações entre setores, processos menores que constituem o maior. Tem relação com a totalidade, diferente pela qualidade.
3)      “Próprio pesquisador” como instrumento humano. Observa e quando alguém reage há interferência. Isso é, há uma resposta a sua presença. Observa, interpreta, modifica o campo. Sua relação com o todo que constituem o processo.

RISCOS E FRAGILIDADES

·         Perder a neutralidade e objetividade (método clássico).
·         Não é possível generalizar resultado.
·         Fronteira “nebulosa” – pratica científica e política.
·         Flexibilidade e fatores de contaminação (vieses do pesquisador).
1)      Sócio cultural (classe social)
2)      Profissional ideológico
3)      Interpessoal (competência)
4)      Emocional
5)      Normativo

Reconhecer para assumir e explicitar (não negar o viés enquanto fenômeno universal) que não é absoluto.
A pesquisa qualitativa – toda pesquisa tem um viés. Tem obrigação a parte de si para explicar o fato.
Ao interpretar a realidade e se isso parte de minha observação devo me incluir nela, inclusive sobre minhas reações. Essa observação Dara riqueza de detalhes.

ENTREVISTA – ROTEIRO DE ENTREVISTA
COMPONENTES:
Entrevistador
Entrevistado
A situação da entrevista
O roteiro
1)      Apresentação, aquecimento
2)      Desenvolvimento
3)      Encerramento – agradecimento – informações
Primeiramente devem-se captar as características das pessoas que tambem servirá na Analise dos dados.
Separa questões:
OBJETIVAS E SOCIO DEMOGRÁFICAS
SUBJETIVAS (EXIGEM MAIS INFORMAÇÕES)

MODALIDADES:
Estruturada
Não estruturada
Semi-estruturada (blocos de temas) exige a divisão por temas.
Estrutura, processo e sequencia - definição prévia.
Padronização e singularização.




“O PAPEL DO PSICÓLOGO – MARTIN BARÓ”


TEXTO REF.: LIVRO “O PAPEL DO PSICÓLOGO – MARTIN BARÓ”.

QUESTÃO 1 – Quais são as três circunstancias concretas, conjunturais dos povos centro americanos” (Latino Americanos de forma abrangente) definidos por Martin Baró, e qual é a relação destas circunstancias com o Papel da Psicologia, segundo ele?

QUESTÃO 2 – Qual é o papel do Psicólogo, Psicóloga e da Psicologia enquanto ciência e profissão segundo Martin Baró?


RESPOSTAS:

Questão 1:
1)      A injustiça estrutural: Os sistemas sociais estão distribuídos de forma injusta. Os regimes políticos distribuem desigualmente os bens disponíveis. Enquanto a maioria da população vive em condições miseráveis, uma minoria oligárquica desfruta de comodidade e luxo. Essa discrepância constitui na priori da violação dos direitos humanos fundamentais (alimentação, moradia, saúde e educação). Essa situação se mantém através de mecanismos violentos de controle e repressão social, esses impedem as mudanças dessas estruturas sociais.
2)      As guerras ou quase guerras revolucionárias: Todos os países dessa região enfrentam situações de guerra onde sofrem os danos que essas originam. Essas guerras aliadas a situação de miséria estrutural definem-se como catastróficas, pois reduzem e estacionam o desenvolvimento econômico dos mesmos. Algumas economias que já são débeis se veem forçadas a dedicarem a maior parte das reservas econômicas ao esforço bélico. Pode-se dizer que a militarização desses lugares é gravíssima porque impõe um regime de exploração opressiva administrada pelas Forças Armadas.
3)      A perda da soberania nacional: Os países da América Central de certa forma têm perdido a autonomia nas decisões nacionais, que interessam a esses países. O USA tem dominado até mesmo a cultura desses locais impondo em nome de uma segurança nacional uma aversão aos governos comunistas. A princípio os USA permitiram uma certa autonomia política e interna, porém rapidamente essa liberdade foi eliminada. Isso é muito ruim porque penhora a identidade e a autonomia dos países impossibilitando a resolução de problemas e eliminando as possibilidades de um futuro nacional. Na maioria das decisões importantes há uma preocupação com a Segurança Nacional dos USA em detrimento à necessidade dos povos. Enfim, isso polariza grupos e interesses em bons e maus, amigos e inimigos.
            Relação destas três circunstancias com o Papel da Psicologia: Não se pode fazer psicologia na América Central sem assumir uma responsabilidade histórica. Para isso o “quefazer” deve ser científico e prático. A priori deve ser uma conscientização que seja crítica às práticas injustas, observando historicamente as raízes da alienação social. A simples consciência não romperá com as estruturas, mas será a seta que aponta o caminho da mudança em oposição ao fatalismo e o determinismo. Esse processo implica no abandono da mecânica-reprodutora de dominação-submissão. O processo dialético do indivíduo com a sociedade supõe uma mudança radical nas relações sociais. Enfim, a tomada de consciência aponta diretamente ao problema da identidade tanto pessoal como social, grupal e nacional. A conscientização leva os indivíduos a recuperarem sua memória histórica, fazendo do seu presente o melhor processo numa perspectiva de melhoramento pessoal e nacional.

Não está nas mãos do psicólogo, enquanto tal, mudar as injustas estruturas socioeconômicas de nossos países, resolver os conflitos armados ou resgatar a soberania nacional, servilmente penhorada aos Estados Unidos [...]  É chamado a intervir nos processos subjetivos que sustentam e viabilizam essas estruturas injustas; se não lhe cabe conciliar as forças e interesses sociais em luta, compete a ele ajudar a encontrar caminhos para substituir hábitos violentos por hábitos mais racionais [...] o psicólogo pode contribuir para a formação de uma identidade, pessoal e coletiva, que responda às exigências mais autênticas dos povos. (MARTIN-BARÓ, 1996, p. 22).

Questão 2:
Na medida em que a psicologia tome como seu objetivo específico os processos da consciência humana, deverá atender ao saber das pessoas sobre si mesmas enquanto indivíduos e enquanto membros de uma coletividade. A consciência é uma realidade psicossocial, relacionada coletiva.
Como consequência do viés da psicologia, assume-se como óbvio o trabalho de desalienação da consciência individual, no sentido de eliminar ou controlar aqueles mecanismos que bloqueiam a consciência da identidade pessoal e levam a pessoa a comportar-se como um alienado, como um “louco”, ao mesmo tempo em que se deixa de lado o trabalho de desalienação da consciência social, no sentido de suprimir ou mudar aqueles mecanismos de que bloqueiam a consciência da identidade sócia e levam a pessoa a comportar-se como um dominador ou um dominado, como um explorador opressivo ou um marginalizado oprimido.
O papel do psicólogo não pode limitar-se ao plano abstrato do indivíduo, mas deve confrontar também os fatores sociais onde se materializa toda individualidade humana. Reconhece-se a necessária centralização da psicologia no âmbito pessoal, mas não como terreno oposto ou alheio ao social, mas como seu correlato dialético e, portanto, incompreensível sem a sua referência constitutiva. Não há pessoal sem família, aprendizagem sem cultura, portanto, não pode haver um eu sem um nós, uma desordem que não se remeta as normas morais e uma normalidade social.
Não se trata de abarcar exclusivamente uma área de trabalho, mas de se fixar um horizonte para o que fazer profissional. Então, as perguntas críticas que os psicólogos precisam formular é sobre o papel que está desempenhando na sociedade, e não deve centrar-se tanto no onde, mas no a partir de quem; não tanto no tipo de atividade que se pratica, mas sobre quais são as consequências históricas concretas que essa atividade está produzindo. 

REFERÊNCIA:
Martin-Baró, Ignácio. O papel do Psicólogo. Estudos de Psicologia 1996, 2(1), 7-27. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/%0D/epsic/v2n1/a02v2n1.pdf>. Acesso em:13 abr. 2018.



Documentário Babies (2010)


TEXTO REF.: A Periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva de Leontiev, Elkonin e Vigotski.

QUESTÃO 1 – Quais são os determinantes, ou variáveis mediadoras do desenvolvimento humano que aparecem no filme?

QUESTÃO 2 – Quais são as atividades e instrumentos que mediam o desenvolvimento biológico e quais são as atividades que mediam o desenvolvimento psicológico dos bebês?


A partir do documentário pudemos ver que as crianças nascem como se fossem um papel em branco. Todas nascem sem conhecimento do que é perigo, sem saber andar e falar, se comunicam como conseguem que é através do choro. 

Sabemos que o que diferencia cada criança é a cultura, ela é um forte determinante que interfere no preenchimento do seu Eu. Enquanto as crianças da África são amamentadas pelas mulheres da tribo e vivem de maneira mais livre, as crianças americanas são amamentadas por mamadeiras e criadas em ambientes mais fechados. 

A cultura e o modo da criação interferem em diversos aspectos. As crianças da África por serem criadas de forma mais simples, em contato com a terra, demonstram ter uma maior resistência a diversas coisas como exemplo, uma boa saúde; andam um pouco antes que as crianças americanas por exemplo. 

Outra variável é a personalidade, que seria a mistura da sociedade e do seu próprio EU, e isso que mostra a diferença de cada criança de uma mesma cultura. Parecem ser iguais no modo de agir, mas existe uma individualidade, que mostra vários comportamentos. 

O filme apresenta uma série de situações diferenciadas, mas que possuem alguns pontos em comum. Apesar das diferenças culturais e estilos de vida de cada comunidade algumas premissas básicas e humanas se mantêm. Premissas que são do ponto biológico similares em todo o mundo. Percebemos que apesar da diversidade cultural o ser humano constituído enquanto instancia psíquica superior necessita dos instrumentos elementares como os primeiros cuidados extrínsecos. 

Em todas as culturas observadas houve uma preocupação com o cuidado pré-natal e pós-natal de manter dignamente a vida (proteção) das crianças e uma manutenção que é afetiva, emocional e física. As diferenças não extinguem os cuidados básicos que cada criança necessita o que é bem observável. 

Observando os estágios de Elkonin (1987) onde ele institui um caráter periódico, podemos observar que o filme retrata a Primeira Infância, aonde a comunicação verbal dos bebês e as atividades objetais manipuladoras se dão através dos processos de assimilação. 

No filme ficam bem claras essas instâncias psíquicas quando os bebês fazem uso de situações para intencionalmente controlar as situações implicando de certa forma punição ao outro, como as que acontecem com Bayer da Mongólia que ao ser incomodado pelo irmão chora pedindo atenção dos cuidadores. De alguma maneira ele manipula a situação para chamar a atenção e vitimizar-se e consequentemente ver o irmão punido. Outro exemplo dessa relação de poder está na menina Mari do Japão que também se utiliza do choro como forma de chamar atenção para si diante das dificuldades apresentadas no dia a dia. Hattie dos Estados Unidos utiliza-se da fala para impor e manipular as situações. Faz uso de suas capacidades para se impor ou negar imposições dos cuidadores. 

Em todos os casos os mediadores estão constituídos na materialidade que se apresenta das relações pessoais e ideias culturais, ou seja, na forma de se relacionar dos adultos e da composição da sociedade (urbana ou rural). Podemos inferir que essa constituição psíquica a princípio é na verdade uma reprodução da cultura adulta e que a criança não possui ainda a capacidade intrínseca de produzir uma cultura própria. 

Ela assimila tudo que está a sua volta, quase que como uma esponja, reproduzindo o mundo adulto, sem ter ainda capacidades intrínsecas de fazer separação entre ideais de ordem moral, ética. Cabe ao adulto mediar esse conhecimento que implica culturalmente o certo e o errado. Cabe também aos instrumentos materiais a mediação de informações de ordem sensitiva e que geram consequências negativas ou positivas. A criança ao interagir com a materialidade aprende que determinadas situações a colocam em risco, pois trazem consequências negativas como a dor, por exemplo. 

Como mediadores biológicos, enquanto atividades e instrumentos, temos a amamentação, o cuidado, a manutenção da vida, o suprimento dos elementos vitais enquanto afeto, carinho, etc. Em todas as culturas há a manutenção de cuidados básicos para a manutenção da vida. Não basta o sujeito social ser constituído biologicamente (instância filogenética) de uma estrutura humana para se tornar humano. Sem as interações materiais e sociais ele não pode humanizar-se, porque é na interação com seus pares que ele aprende, ou seja, assimila a condição de ser humano. Esses processos mentais elementares são mediados pela atividade humana e interação social-cultural. É o espaço externo que constrói o interno. 

Como mediadores psicológicos, enquanto atividades e signos, temos a mais importante de todas que é a linguagem. É na comunicação verbal que as crianças vão desenvolvendo a capacidade de raciocinar e expressar suas emoções e desejos. Conforme Facci (2004, p. 68) “ Até mais ou menos os 18 meses, a criança ainda não consegue descobrir as funções simbólicas da linguagem, que é uma operação intelectual consciente e altamente complexa. ”. 

Ainda sobre a linguagem, Schmitt (2013) conclui: 

Seja na África, na América ou na Ásia as primeiras palavras balbuciadas pelas crianças são as mesmas, aquelas que remetem aos que lhes deram a vida, embora saibamos que pai e mãe não são somente os biológicos, mas o caso do documentário são aquelas pessoas que dão a sensação de segurança para as crianças, que são sua referência de mundo, das quais se percebem como extensões, as primeiras palavras de todos os bebês foram mama e papa (SCHMITT, 2013, p. 6).

Enfim, os processos mentais superiores intrapsíquicos são construídos a partir do contato externo enquanto atividade humana extrínseca-objetiva-concreta, portanto, o psiquismo não é função, mas “integralidade” que se constitui nessa interação bio-psico-social. Signos, portanto, é algo simbólico, social, cultural e que significa alguma coisa e esses significados são construídos socialmente. 

O filme Babies (2010) é uma excelente ferramenta para observarmos como essas relações sociais compõem a estrutura humana integral, ou seja, da filogênese, ontogênese, sociogênese e microgênese. 




REFERÊNCIAS: 



BABIES. Direção: Thomas Balmès. [S.I.]: Focus Features, 2010. 1 DVD (79 min). NTSC, color. 


CARNEIRO, Ana Carolina Rocha. Infância e diversidade cultural: uma reflexão sobre o filme “Babies” Zero a Seis: Revista Eletrônica editada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas de Educação na Pequena Infância. v. 16, n. 30 p. 316-325 | Florianópolis | jul-dez 2014. 


FACCI, Marilda Gonçalves Dias. A periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva de Leontiev, Elkonin e Vigotski. Cad. Cedes, Campinas, vol. 24, n. 62, p. 64-81, abril 2004 67. Disponível em https://www.scielo.br/pdf/ccedes/v24n62/20092.pdf. 


SCHMITT, Bárbara Jucinsky. Uma análise da cultura e das identidades a partir do documentário Babies. Mestranda do Curso Processos e Manifestações Culturais da Universidade Feevale. V ENALLI: Encontro Nacional de Língua e Literatura: Representação do Espaço Urbano. 12 p. 2013.

Os astros me ensinam meu lugar

Por Dâmaris A C Melgaço Eu gosto de contemplar a noite e de olhar para o céu. Ao olhar para cima, contemplo também a minha insignificância h...