quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Psicodiagnóstico (Cap. 1 ANCONA-LOPEZ)

 

Autor(es):

ANCONA-LOPEZ, Silvia (org.)

Organizador (es):

Silvia Ancona-Lopez

Coordenador (es):

Danilo A Q Morales

Editor (es):

Não consta

Tradutor:

Não consta

Título e subtítulo da obra:

Psicodiagnóstico Interventivo: evolução de uma prática

Título e subtítulo do capítulo 1:

Psicodiagnóstico fenomenológico-existencial: focalizando os aspectos saudáveis

Autor (es) do capítulo:

Gohara Yvette Yehia

Edição:

1  ed.

Local de publicação:

São Paulo

Editora:

Cortez

Data da publicação:

2014

Coleção:

 

Páginas:

186 p.

Intervalo de páginas do capítulo:

 

Volume:

 

(para livros na internet) Disponível em:

https://docero.com.br/doc/s058e

(para livros na internet) Acesso em:

Março 2019

Um pouco de História (20-22 p.)

 

ü  SaúdexDoença: Não é dicotômica, estão inter-relacionadas. É um processo único, ou seja, não está no fato de ter ou não ter. Ex. Doença mental: poderia caracterizar uma construção de outros modos de existência, mediante dificuldades de respostas hábeis às existência. Outra forma de existir que foge a norma.

ü  Saúde do latim: salus – bem estar/integridade/cuidado; grego: pathos – sofrer/ser afetado/não resistir.

ü  Ao longo da história saúde e doença foi vista de diferentes formas e acompanhou a evolução da ciência e da sociedade:

ü  Idade Média: A vida era coletiva, voltada às tradições e a entidades poderosas (míticas).

ü   Renascimento: descobertas, ampliação do comércio, muitas possibilidades. Os sentimentos marcantes desse período eram o desamparo, incertezas. O mundo aparentemente inóspito. Surge a necessidade de controle e um movimento para a introspecção e racionalidade.

ü  Idade Moderna: Criação do método. Valorização da lógica, coerência. Fenômenos devem ser explicados pela razão – exclusão do senso comum. Predomínio da técnica e privilegia procedimentos técnicos Distancia-se do ato de debruçar-se sobre o leito. O clínico é o especialista. Redução do acolhimento à triagem. Uso da técnica para encaminhar às especialidades (mediação técnica).

ü  Modelo técnico científico – sinais de esgotamento. Técnica Fenomenológica Existencial - Encontro com o outro. Domínio do saber não funciona como um lugar seguro; não traz respostas absolutas. Não alivia a angústia e alteridade, ao contrário nega a alteridade e a reduz num encaixe normativo de constructos teóricos. Homem teórico e racional que explica irracionalidade (vista como um desvio) – fim último: controlar e ajustar.

ü  Nova Proposta: Campo ético – desloca-se o saber e constroem-se sentidos. O psicólogo é um mediador e não um mero especialista que detém o saber. Ele acolhe os saberes do outro para então resgatar a dimensão ética. Desmistifica verdades que anulam o outro (exclusão X injustiça social). Normas naturalizantes e universalizantes. A diferença não aparece como algo a ser negado ou excluído. Contribui para mudar os sistemas que estão cristalizados. Cultura – corpo normativo – uso da palavra – signos. Estabelecimento da cultura de exclusão podendo ser transformada pela consolidação de nova cultura.

ü  À medida que o homem faz uso de uma prática pautada no comprometimento social, como é o caso da Fenomenologia existencial, haverá uma emancipação cidadã porque os profissionais estarão imbuídos de lutar pela promoção do desenvolvimento profissional e pessoal dos indivíduos. O olhar atuante do profissional estará voltado para as causas do sofrimento humano e preocupado em utilizar abordagens teóricas que contemplem essas dimensões do campo social.

ü  Tem, portanto a Clínica Fenomenologia Existencial uma consideração pela constituição da existência humana levando em conta que essa é relacional, ou seja, que ela se revela quando dois indivíduos se encontram. É o encontro de intersubjetividades que oportunizam mudanças desenvolvimentais, cognitivas e sociais. É o lugar de ver e ser visto, de ouvir e ser ouvido (Figueiredo, 1995 apud Yehia, 2014).

 

O psicodiagnóstico (22-24 p)

 

ü  Muitas instituições são procuradas pela gratuidade do atendimento psicológico e na sua maioria por pais com filhos com algum problema de aprendizagem relacionado a distúrbios no comportamento que tiveram encaminhamento por médico, assistente social, escola entre outros.

ü  As instituições aceitam a demanda, pois existem muitas causas concorrentes - intelecto, emoção, psicomotricidade, neural e fonoaudiológica - que precisam de investigação profissional.

ü  Psicodiagnóstico tradicional: 1 ou 2 entrevistas com pais – contato com a queixa, dinâmica da família e desenvolvimento da criança – testes, avaliação desses testes, 1 ou 2 entrevistas devolutivas aos responsáveis para oferecimento de conclusões diagnósticas, sugestão de caminhos a serem trilhados: psicoterapia, orientação, psicomotricidade, etc.

ü  Os pais que após receberem essa orientação comparecem na orientação e mostram-se decepcionados, sem vontade, sem conhecimento do que ocorreu no processo, repetem a queixa e a indicação terapêutica.

ü  O mesmo não ocorre com o psicólogo já que esse sente que cumpriu seu papel fazendo uma indicação terapêutica dentro do observado e investigado.

ü  Porém, se o psicodiagnóstico for uma forma de levantar dados  para orientar o processo terapêutico como uma ponte para o que ocorrerá depois, então será significativo e capaz de operar mudanças reais.

ü  “[...] o atendimento somente deve tornar-se efetivo na psicoterapia”? (p. 23). A autora sugere que é preciso torná-lo mais significativo e satisfatório.

ü  1987 – metodologia fenomenológica – Ancona-Lopez entra em contato com trabalhos de Fischer verificando aspectos comuns em relação à possível intervenção durante o processo psicodiagnóstico. 1994 – Yehia retoma esse trabalho em follow-up.

 

O processo psicodiagnóstico fenomenológico existencial [...] 

(24-27 p.)

 

ü  Processo  fenomenológico-existencial infantil – 10 ou 12 sessões, dessas 6 ou 7 com pais.

ü  Os objetos tem um significante através das relações estabelecidas com outros significados já prontos. Objetos usuais não são questionados toda hora, nem as pessoas com quem se divide o mundo.

ü  No entanto, quando alguma coisa ou comportamento da criança torna-se inusual percebe-se que algo está errado, foi rompido e os objetos passam a ser questionados.

ü  Essa é a oportunidade para questionar as relações pais&filhos, problematizando-as nas intersubjetividades relacionadas aos objetos, pessoas e mundo. “É neste contexto que o psicodiagnóstico se propõe explicitar o sentido da experiência do cliente”. (p. 24).

ü  O objetivo do psicodiagnóstico infantil é explorar o significado da queixa e dos sintomas, e da leitura individual dos envolvidos na problemática. Mesmo que seja a criança a ser atendida, compreender que são os responsáveis que arcam com despesas, tempo em disponibilidade e mudanças transformadores que o processo terapêutico proporciona. Por essa razão é preciso apoiá-los, incentivá-los e motivá-los a manterem-se firmes na caminhada terapêutica.

 

ü  1ª sessão – questionar o motivo da consulta. Como eles entendem o atendimento e qual a expectativa? Possibilitar compreensão da importância de sua participação no processo.

ü  Psicólogo – compreender a pergunta trazida, participar do significado comum do projeto do cliente. Acontecimentos e contextos devem ser identificados  para compreender os motivos da procura.

ü  Sessões seguintes- anamnese – conhecer condições familiares e sociais, bem como os vínculos e papéis ocupados no contexto. O roteiro é importante, pois através dele conhecem-se as condições biopsicossociais da criança e oportuniza aos responsáveis participarem do processo passado e presente e suas relações envolvidas por sentimentos, expectativas e ações que implicam nas relações pessoais com a criança.

ü  Mesmo não tendo ainda contato com a criança o psicólogo começa a delinear uma imagem da mesma por intermédio dos responsáveis. Numa terceira e quarta sessões haverá o primeiro contato com a criança que deve ser orientado do porque está ali. Muitas vezes os responsáveis sentem-se inseguros em relação aos sentimentos da criança e temem que ela possa piorar, é papel do terapeuta retomar as fantasias dos envolvidos no processo.

ü  A criança: 1º contato – observação lúdica, entrevista acompanhada de desenho. Sessões intercaladas com responsáveis e a criança começam a ocorrer.

ü  Pesquisa com os pais a partir do material coletado anteriormente faz-se necessário a certos aspectos da vida cotidiana da criança, pois esse contato abre outras possibilidades de entendimento.

ü  Cada instrumento utilizado (testes, observações) deve ser comunicado aos responsáveis. Para compreenderem de onde o profissional está partindo e quais referenciais teóricos estão usando, podendo participar de decisões sobre o que investigar e desmitificando os instrumentos.

ü  Nessa comunicação a linguagem deve ser acessível ao nível socioeconômico e cultural dos envolvidos para que possa fazer sentido.

ü  Ao final do processo – descrever o passo-a-passo realizado, ler o relatório final e sua síntese profissional aos pais deixando aberto para modificações, alterações, acréscimos ou eliminação de termos ou situações.

 

Psicodiagnóstico interventivo, na abordagem fenomenológica existencial: uma mudança de atitude (27-28 p.)

 

ü  “O cliente, antes agente passivo, torna-se um parceiro ativo e envolvido no trabalho de compreensão e eventual encaminhamento posterior: é corresponsável pelo trabalho desenvolvido”.

ü  “O psicólogo não é mais o técnico, o detentor do saber que procura oferecer respostas às perguntas trazidas pelos pais”.

ü  “A situação de psicodiagnóstico torna-se, então, uma situação de cooperação, na qual a capacidade de ambas as partes observarem, apreenderem e compreenderem constitui a base indispensável para o trabalho”.

ü  “O psicólogo aceita as colocações dos pais a respeito daquilo que eles observam, pensam e concluem, procurando ampliar seu campo de visão, contextualizando a queixa particular para inseri-la em contexto mais amplo”.

ü  “Em geral, através de suas intervenções, o psicólogo procura promover novas possibilidades existenciais na medida em que trabalha com o outro a transformação de seu projeto”.

ü  “A partir de seus contatos com a criança, o psicólogo procura descrever como compreendeu os comportamentos que lhe apareceram”.

ü  “O uso de qualquer instrumento é discutido tanto com os pais como com a criança, sendo explicitados o objetivo e os princípios gerais subjacentes a eles”.

ü  “Assim, o psicodiagnóstico fenomenológico-existencial envolve um trabalho de redirecionamento dos pais a partir da compreensão da criança e da dinâmica familiar, com o objetivo de facilitar o relacionamento, propiciar novas formas de interação e abrir novas perspectivas experienciais”.

 

O estilo das intervenções do psicólogo (28-29 p.)

 

ü  “Para conhecer a criança, o profissional faz uso de diversos instrumentos, pertencentes ao cabedal de recursos dos quais o psicólogo clínico dispõe para atender a um cliente. Entre estes se destacam a observação lúdica, mais utilizada com crianças pequenas, entrevistas e testes”.

ü  “Frequentemente, em se tratando de dificuldades de aprendizagem, é necessário recorrer a testes de nível intelectual”.

ü  “São muitas as críticas que algumas abordagens em Psicologia fazem à utilização deste tipo de instrumento, quando utilizado seguindo as normas da psicometria, mesmo depois de elas serem adaptadas para a população brasileira. Entretanto, a recusa desses instrumentos parece-nos uma atitude extremada, uma vez que pode levar à rejeição de possibilidades de interação com a criança nas situações propostas pelo teste (uma vez que reproduzem algumas daquelas que a criança vive em seu dia a dia)”.

ü  Resumindo, consideramos os testes organizadores que possibilitam a emergência de vivências que ocorrem no cotidiano da criança.

 

Outros recursos utilizados: a visita domiciliar e a visita à escola (p. 29)

 

ü  Visita domiciliar: [...] permite a observação, in loco, da família, assim como a ressignificação de falas e observações ocorridas durante as sessões e à escola: [...] podem-se observar e, às vezes, redimensionar queixas em relação à criança. Dependendo da disponibilidade da escola, ainda torna possível orientar a professora a partir da compreensão da criança.

 

As repercussões deste trabalho sobre os pais (p. 29-31)

 

ü  Em vários casos estudados, nota-se um movimento dos pais que culmina, geralmente, em torno da quinta sessão, quando eles relatam modificações em sua compreensão da criança e tentativas de mudança em sua forma de se relacionarem com ela, ao mesmo tempo que, também, parecem ter perdido seus referenciais, tornando-se dependentes das indicações do psicólogo.

ü  Em alguns casos, o trabalho se encerra nesta primeira fase. De fato, quando os pais não estão motivados para o trabalho proposto, por se mostrar distante de suas expectativas ou muito ameaçador, desistem do atendimento.

 

ü  Em outros casos, porém, é possível instalar-se um campo interacional, no qual os pais e o psicólogo viverão experiências [...] Entretanto, enquanto esta nova construção ainda não se deu e a antiga encontra-se abalada, é como se os participantes pairassem numa espécie de vazio, com a sensação de que perderam o pé, não sabem o que fazer.

ü  É esse o momento em que os aspectos terapêuticos do processo se manifestam mais claramente. Eles foram sendo preparados e aconteceram sem ter sido, obrigatoriamente, formulados através de verbalizações.

ü  Insisto, neste trabalho, busca-se sempre focalizar os aspectos saudáveis da criança e dos pais, fazendo apelo à abertura de novas possibilidades de estar-com em vez da busca de uma adequação a algo considerado “normal” pela ciência, respeitando a cultura e o contexto familiar.

ü  Desse modo, pode-se compreender a importância da elaboração do relatório final [...] permite verificar a consistência e a coerência das conclusões às quais se chegou. Ele tem a finalidade de constituir-se em uma síntese do processo, descrevendo o que ocorreu neste período de atendimento.

ü  Por essa perspectiva, a leitura do relatório no final do atendimento se constitui em um momento significativo do processo. Para isso, o psicólogo está aberto para alterações do texto, caso eles não concordem com este.

 

O follow-up (p. 31-32)

 

ü  A entrevista de follow-up é realizada com a finalidade de retomar, passado algum tempo, a experiência vivida pelos pais durante o psicodiagnóstico, a fim de conhecer sua fecundidade e eficácia.

 

 

 

TRABALHANDO HABILIDADES: AUTOCONHECIMENTO

Trabalho de habilidades e dinâmica de grupo apresentado ao curso de Psicologia da Universidade Paulista, como exigência parcial para obtenção de nota na disciplina de Processos Grupais. 

INTRODUÇÃO 

O presente trabalho propõe-se refletir a importância do autoconhecimento na atuação profissional psicológica e como o desenvolvimento dessa habilidade age beneficamente na gestão de emoções, bem como na escuta e acolhimento do outro. 

Consideramos que quando não há exercício do autoconhecimento as relações intra e interpessoais ficam prejudicadas o que impede que executemos com eficácia a proposição de estar no lugar do outro, já que conhecer a si mesmo nos abre para o respeito às diferenças existentes nas relações grupais. 

Ter habilidades sociais é fundamental para bem viver. O autoconhecimento é uma habilidade imperativa para essa meta e tem como consequência o exercício de empatia, humildade, introspecção e reflexão sobre os porquês do comportamento individual que afeta a coletividade. 

Quem não exerce essa habilidade, primeiramente prejudica a si mesmo e consequentemente sua vida pessoal e profissional, vivendo turbilhões emocionais, fixando-se no que é óbvio - provável e esperado. Fechando-se para novos horizontes, caminhos e ideais. 

A quebra de paradigmas é necessária e exigida pela sociedade moderna, portanto mudar de direção, opinião, é um caminho às vezes doloroso e difícil, mas que só pode ser conquistado pelo autoconhecimento e pela abertura de consciência que reconstrói conceitos a partir de uma atitude autorreflexiva.

OBJETIVO 

1.  Aplicar técnica de Oficinas em dinâmicas de grupo a fim de discutir temas relevantes para articulação entre psicologia, habilidades sociais, autoconhecimento, prática profissional em processos grupais, cuja inclusão da prática promove investigação, exploração de vivências pessoais dos educandos em psicologia da UNIP – Campus SJRPardo, 7º semestre, oportunizando o manejo de situações em contextos diversificados. 

1. HABILIDADES SOCIAIS

Habilidades sociais podem ser compreendidas como um apanhado de ações, assim chamadas comportamentos aprendidos numa determinada cultura pela palavra ou ação observada. Por ser pertencente a um grupo social a maior parte das pessoas necessita ter desenvolvidos alguns tipos de comportamentos que “são esperados” em uma convivência grupal e caso esses não possuam um repertório atitudinal bem desenvolvido suas relações interpessoais ficam prejudicadas (LUCCA, 1994). 

Poder-se-ia dizer que existem exigências e expectativas em relação ao comportamento exibido em sociedade e à medida que esse se mostra gera acolhimento ou rejeição por parte dos grupos sociais. As habilidades sociais esperadas tornam as pessoas aptas para a convivência social e as boas interações comunitárias. Os comportamentos hábeis incluem a linguagem falada e corporal como gestos, postura, expressões da face, maneirismos, aparência pessoal, etc. (LUCCA, 1994). 

1.1. Autoconhecimento 

O autoconhecimento é uma habilidade que relaciona vivência pessoal e atuação profissional, porque o trabalho que alguém desempenha está intimamente ligado à forma como experienciou no passado essa relação vivencial-profissional e determinará o futuro, pois as habilidades e comportamentos aprendidos podem servir para a conquista objetiva na vida. Portanto, o autoconhecimento é um fator chave que trás à consciência aquilo que somos capazes de realizar, bem como aquilo que ainda precisamos desenvolver para realiza-lo (SAVIOLI, 1991 apud PERES, 2011). 

O nosso mundo interior é construído quando há descoberta da energia física que se encontra no meio ambiente e quando essa mesma energia é codificada como sinais neurais, assim chamados de sensação. O ser humano além de sentir o meio natural pelos sentidos, também o percebe, pois não estacionamos no contato objetal, mas damos a eles significados, logo temos a capacidade de transmutar sensações em percepções (MYERS, 2015). 

O autoconhecimento é um dos primeiros comportamentos necessários para o desenvolvimento profissional e relaciona-se com a percepção melhorada sobre si mesmo e anseios profissionais. Para uma carreira ser bem sucedida é preciso ter como base o autoconhecimento, porque não há uma fórmula mágica para exercer bem uma profissão, mas conhecer a si mesmo e auto gerenciar-se é um bom começo (PERES, 2011). 

O autoconhecimento se dá à medida que oportunizamos a nós mesmos uma abertura de consciência para agregar novos saberes quebrando assim modelos pré-determinados guardados na memória e mantidos durante a história pessoal de vida. Nossas percepções individuais e culturais que delinearam nossa forma de agir e proceder padronizado podem ser quebradas e devem já que elas entendem, analisam e modificam o mundo externo (PERES, 2011). 

Dessa forma entendemos que para que haja mudança de um comportamento impróprio faz-se necessário uma conversão da rota paradigmática desencadeando novas formulações que serão desenvolvidas e aprimoradas, gerando dessa forma novos resultados (PERES, 2011). 

Autoconhecimento, atualmente, é um diferencial nas relações profissionais porque quando conhecemos a nós mesmos, nossas fraquezas, potencialidades, desejos e predileções, podemos adequar nossas realidades aquela que está posta diante nós. A consequência é o estabelecimento de objetivos e estratégias a fim de alcançar o sucesso nas relações intra e interpessoais (PERES, 2011).

2. DIFICULDADES NA AUSÊNCIA DO AUTOCONHECIMENTO 

Como o autoconhecimento está diretamente relacionado com as relações intra e interpessoais, faz-se necessário pontuar como a ausência dessa habilidade prejudica a atuação profissional, principalmente no exercício prático da psicologia. 

Quando um profissional não teve uma boa relação interpessoal durante a sua formação acadêmica através de vivências, experimentações e aprendizados, dificilmente esse profissional terá relações interpessoais satisfatórias no cotidiano laboral (RIBEIRO, 1996 apud BARRETO, 2014). 

Diante do enfrentamento de medos e causas atitudinais, necessário na jornada do autoconhecimento, muitos desistem porque não estão preparados para o confronto de suas dificuldades, imperfeições, incongruências, necessitando de ajuda terapêutica para ajudá-los na busca de recursos internos. Outros ao se desnudarem não suportam o que estão vendo e tendem a mascararem-se novamente diante do inominável (PERES, 2011). 

A falta do autoconhecimento expõe aqueles que se perdem na jornada introspectiva “conhece-te a ti mesmo”, porque estão enraizados em suas rotinas e manias velhas, rituais sagrados no trabalho e em família, justamente porque não compreendem o quanto é benéfico ter uma disciplina saudável que é estabelecida quando se tem metas de vida mais elevadas no sentido qualitativo. “[...] Esse é um precioso tesouro que somente os disciplinados conhecem e podem entender” (PERES, 2011, p. 16). 

2.1. Dificuldades na ausência do autoconhecimento na infância 

Em contexto escolar, podemos elencar algumas dificuldades existentes quando não há um autoconhecimento profícuo abalando as relações interpessoais e intrapessoais. Problemas comportamentais e emocionais encontram-se divididos em dois grupos: 1) externalizantes e 2) internalizantes, o primeiro relaciona-se a outras pessoas e o segundo ao próprio indivíduo (DEL PRETTE e DEL PRETTE, 2017). 

Por possuírem um repertório irrisório de habilidades sociais, esses indivíduos externalizam comportamentos rebeldes, agressivos e antissociais e internalizam processos depressivos, de isolamento e fobia social. Um desenvolvimento saudável fica prejudicado quando não se tem uma boa relação interpessoal e nem o conhecimento de si mesmo, implicando num autoconceito disforme (DEL PRETTE e DEL PRETTE, 2017). 

Por essa razão crianças que apresentam esses comportamentos são encaminhadas frequentemente para atendimento psicológico, pois não passam despercebidas no grupo social, oferecem resistência quando ofertado ajuda e por apresentarem dificuldades inter-relacionais são vistas como potenciais problemas para o futuro (DEL PRETTE e DEL PRETTE, 2017).

3. COMO APRIMORAR O AUTOCONHECIMENTO 

Para desenvolver essa habilidade é preciso traçar objetivos de autogestão e um plano de ação para por em prática esses objetivos. Algumas ferramentas são boas para traçar esse plano que envolve a autoavaliação, como: 1) “Manuais de autopreenchimento”, 2) “workshops para planejamento de carreira” e 3) “Suporte de consultores especializados” (PERES, 2011, p. 15-16). 

Registrar o que gostamos ou não de executar, o que realizamos ou não com eficiência elencam habilidades e atitudes, descrever projeções futuras relacionadas ao campo biopsicossocial e religioso, realizar balanços do real vivido às projeções futuras, estabelecer mudanças que devem acontecer; projetar mudanças no campo profissional, analisar como estas mudanças interferem no olhar para esse futuro mediante as transformações políticas e organizacionais da sociedade moderna (SAVIOLI, 1991 apud PERES, 2011). 

Descrever um sumário autobiográfico com informações sobre sentimentos que podem vir a interpor-se no futuro causando impactos em nossa vida, analisar a partir de decisões tomadas o que foi consequencial em termos positivos e negativos na vida profissional, avaliar o seu fazer, o que faz bem ou não, o que lhe dá prazer ou não, buscar ser avaliado por pessoas próximas sobre o que foi avaliado anteriormente (KOTTER, FAUX e MCARTHUR, 1982 apud PERES, 2011). 

Questionar-se a respeito de sucesso na vida laboral e sentimental provém de um vazio ou sensação de que falta algo. E é justamente esse questionar que abrirá as portas para o autoconhecimento, pois quando questionamos nossas ações, sentimentos e pensamentos, desconstruímos o idealizado interno e externo. Começamos a encarar os porquês de nossas ações e medos. Esse confronto pode causar uma desistência interna já que diante da frustração e falibilidade nas incongruências existentes em nós há os que preferem não enfrentá-los (PERES, 2011). 

Ao nos despirmos de nossa capa protetiva ficamos fragilizados diante dos outros e de nós mesmos. Para tanto, faz-se necessário sermos francos e honestos conosco reconhecendo nossas fraquezas e dificuldades entendendo que esse despir é fundamental para obtenção do sucesso e não o contrário (PERES, 2011). 

A humildade é necessária no garimpo de alternativas na resolução de nossos conflitos, já que estamos entendendo que é preciso mudar, largar no caminho velhos conceitos e atitudes, traçar novas rotas, designar a razão a outrem, desculpando-se, sair do campo defensivo para assumir de forma madura o que é de nossa responsabilidade (PERES, 2011). 

Enfim, conhecer a si mesmo é um trabalho infinito. Um caminhar em ascendência que permite refletir o passado e perceber os avanços e percalços desta jornada ampliando a cada movimento a visão das conquistas que o futuro lhe reserva (PERES, 2011).

4. DESCRIÇÃO DA DINÂMICA 

Dinâmica sem número de participantes definidos, com duração de 25 minutos, que pretende trazer a tona os diversos sentimentos e emoções a partir de uma palavra-chave predeterminada pelo aplicador. Com uso de recursos simples como cartolina e canetões, os participantes deverão anotar tudo que lhes vier à mente correlacionada à palavra geradora. “Todas as pessoas possuem no seu interior uma parcela de verdade que necessita vir à tona algum dia”. 

4.1. Nome 

A palavra – Imã 

4.2. Objetivos 

* Identificar os próprios sentimentos e expressá-los, partilhando-os com o grupo. 

**  Incentivar a participação de todos; evocar sentimentos escondidos para fora. 

4.3. Método 

Utilizaremos o método Oficinas em técnicas de “Dinâmica de grupo”, pois elas possibilitam organizar e criar novas possibilidades de compreensão ajudando a produzir saberes, bem como desencadeiam novas aprendizagens coletivas, sendo, portanto mais profícuas e abrangentes (AFONSO, 2006). 

Existem muitas técnicas e descrições, mas é preciso levar em conta os objetivos, o ambiente aonde se desenvolverá as técnicas, o tempo de duração, o número de participantes, os recursos materiais, as perguntas e as conclusões, ou seja, o momento em que haverá a síntese de tudo que foi desenvolvido com a técnica, dessa forma poderá haver um resgate de experiências e emoções vividas por cada participante concluindo o tema discutido (AFONSO, 2006). 

Dispor-se-á os participantes em círculo, em seguida o coordenador escreverá no centro de uma cartolina a palavra-chave, o tema do encontro. A palavra chave escolhida foi ISOLAMENTO. Cada participante escreverá em torno da palavra-chave aquilo que lhe vier à cabeça sobre o tema gerador. Ao final da dinâmica, todos conversarão sobre o que escreveram o que sentiram. Dessa forma poder-se-á analisar as impressões e sentimentos envolvidos e evocados no momento da dinâmica, bem como compartilhar com os outros essas impressões promovendo trocas profícuas na elaboração de sínteses autorreflexivas tão importantes para a gestão das próprias emoções, bem como mudanças de rota em relação a si mesmo, aplicabilidade para o futuro e melhora das relações intrapessoal e interpessoal (PENAPOLIS, 2019). 

REFERÊNCIAS 

AFONSO, M. L. M. Oficinas em Dinâmica de Grupo: um método de intervenção psicossocial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. 

BARRETO, M. F. M. Dinâmica de grupo: história, práticas e vivências. 5a ed. Campinas: Alínea, 2014. 

DEL PRETTE, Z. A. P.; DEL PRETTE, A. Psicologia das habilidades sociais na infância: teoria e prática. Ed. Digital. Rio de Janeiro: Vozes, 2017. 

LUCCA, E. de. Competência Social em crianças portadoras de deficiência mental. Dissertação de Mestrado. PUC Campinas, 1994. 

MYERS, D. G. Psicologia. 9 ed. Rio de janeiro: LTC, 2015. 

PENAPOLIS. Dinâmicas de Autoconhecimento. Disponível em: < https://www.santuariopenapolis. com.br/arquivos/2403090551444.doc. >. Acesso em abr. 2019. 

PERES, J. L. P. Gestão de carreira: uma questão de autoconhecimento. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração, 2011. Disponível em: <http://www.convibra.org/upload/paper/adm/adm_2621.pdf>. Acesso abr. 2019. 

TORRES, Lúcio. Dinâmicas de aula (Palavra Imã). Publicado em 25/06/2013. Disponível em: < http://professorluciotorres.blogspot.com/2013/06/dinamicas-de-aula-palavra-ima.html>. Acesso em abr. 2019.






































Síntese do Texto [Zavattaro, H. A., Diagnóstico psico-social da Organização: 3 modelos]:

 

Muitas vezes o psicólogo organizacional fica preso a normas técnicas e métodos ou limitado a psicodiagnósticos em sua atividade laboral, porque existem poucas bibliografias na área e complexidade nas organizações que dificultam as relações humanas. Nesta área atuam leigo e profissional especializado. O leigo baseia-se na experiência, enquanto o profissional referenda-se na teoria aprendida diferenciando-se pela reflexão da prática.

Garcia (1980, p. 5) aponta para uma teoria das organizações que se apoia na “racionalidade funcional ou instrumental”, ou seja; apreendendo “. . . os fatos da vida diária apenas pelas suas aparências interesses imediatos utilitários.”. Para não incorrer neste erro é necessário que o profissional repense a sua formação e as suas bases psicossociais, bem como as que norteiam a sua formação acadêmica, já que paradigmas são estabelecidos inevitavelmente. O importante é que estes modelos estejam voltados a uma prática consciente pela crítica e por movimentos de transformação.

Sendo assim, compromissos devem ser firmados pelos profissionais com as demandas humanas (participantes da organização) como: passividade diante dos sistemas políticos das organizações, potencialidade transformadora dos indivíduos mediante o exercício da consciência autônoma. “A luta pela emancipação do homem, pela promoção de valores humanos, pela manifestação do poder de criação, deve ser, a nosso ver, a razão de ser, tanto existencial quanto profissional.”.

O modelo da Pesquisa-Ação de Kurt Lewin (1934), USA, estudos humanos dá início a abordagem de Desenvolvimento Organizacional. As etapas do diagnóstico dividem-se em: identificar o problema, intelectualizar o problema, planejar a ação e tomar a decisão e avaliar a pesquisa ação. Vários são os subsistemas de uma organização: grupos sociais e de interesses e configurações de poder. Por esta razão é necessário clarificar quem é o beneficiário e quem é o cliente. Muitas vezes a pesquisa é banalizada pela coleta de informações sem levar em conta os indivíduos envolvidos na pesquisa. Desta maneira, o profissional psicólogo, atua como um mero assistente da chefia, um pau- mandado. Identificado o cliente, é necessário adotar um modelo teórico que servirá de suporte para substanciar possíveis resoluções para o problema identificado. “Pesquisa Ação é uma estratégia, uma tentativa de resolução de problemas práticos, com a participação dos clientes.”.

Os sentimentos que podem acompanhar o cliente diante do problema são frustração e dúvida, e isto não deve ser ignorado já que é função do psicólogo organizacional auxiliá-lo na intelectualização da questão, ou seja; apresentar a hipótese de trabalho que funciona dentro de uma estrutura de sistema, para então buscar resolutividade na expressão do observável real (fatos e evidências). A partir de então se passa a adequar o sistema social e o técnico para obtenção de uma melhoria na qualidade das relações existentes entre as partes interessadas cliente e beneficiário, bem como na melhoria do produto final. A avaliação final se dá no levantamento de questões a respeito do produto, do modelo sócio-técnico, do modelo de análise e investigação e sua efetividade na resolução do problema, as consequências das mudanças planejadas e sua importância na reavaliação do problema.

O Diagnóstico Emancipador, Garcia (1990), surge como uma crítica alternativa às teorias organizacionais do Diagnóstico. Esta se baseia em três dimensões: 1) Poder que transforma o mundo presente no indivíduo pela consciência atuante, 2) A organização deve atender a autodeterminação do indivíduo e 3) O Indivíduo precisa ser emancipado através da criação de recursos e instrumentos. “O objetivo é a transformação emancipadora das relações sociais passivas e acríticas em relações autodeterminadas e realizadoras.”.

Aqui o trabalho está para a coletividade numa busca pela consciência de classes. Não se trata mais de aplicação de técnicas e métodos que paralisam, mas a retomada do curso da ação de aprimorar-se. É a busca do auxílio mútuo, numa perspectiva multidisciplinar, da representatividade e do princípio ético. Três são as fases deste movimento investigativo: 1 - Expressão e descrição da realidade, 2 - Crítica e 3 - Criatividade. As ideias conceituais são expostas livremente nos pequenos grupos, considerando-se para análise os simbolismos existentes na vida e no trabalho cotidiano, bem como a formação social de suas mentes quanto às relações de poder e submissão. Objetiva-se com isto trazer às consciências individuais as barreiras que distanciam as realidades estruturais da efetiva benesse almejada nestas relações de trabalho, ou seja, entre o que é falado e o que é executado. Finalmente, estabelecer ações direcionadas para relações mais éticas, verdadeiras e coerentes numa automobilização de recursos estratégicos.

“Deve, o Diagnóstico Emancipador, caracterizar: 1) As estruturas globais da sociedade; 2) O contexto ou situação da organização; 3) A estratégia organizacional e os polos de tensão; 4) A estrutura e os mecanismos internos da organização.”. Dificilmente organizações com acúmulo de capital abraçariam esta metodologia, sendo mais aplicável nas organizações comunitárias.

 

Análise Crítica

 

            O psicólogo organizacional enfrenta muitas barreiras internas e externas, sejam de caráter formativo acadêmico, seja pela pressão social das grandes organizações capitalistas ou por suas demandas existenciais. Para tanto, ele precisa apropriar-se da criticidade e consciência das bases sociopolíticas que pautam as ações nas relações de trabalho. Conhecer o compendio de normas e técnicas de atuação profissional, bem como teorias organizacionais, ignorando o teor político ideológico que pautam e dão as bases de seu trabalho no mundo capitalista, implicam em profissionais que se alienam a sistemas políticos, econômicos e sociais, sendo meramente apoiadores de culturas organizacionais que aprisionam os seres de si mesmos.

            Numa perspectiva emancipadora estas relações devem ter como premissa a autonomia da consciência cidadã, da consciência laboral, da força do trabalho, da importância da permuta que gerencia as relações na empresa. Logo, se o profissional organizacional se alia a formas de domínio coercitivo está a ferir os princípios éticos que regem a sua profissão, visto que este tem como princípios fundamentais o trabalho respaldado no “respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades contribuindo para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”. (Resolução CFP nº 010/05).”.

            Diante deste compromisso moral e ético o psicólogo organizacional encontra grandes desafios que podem impedir sua permanência nas organizações, já que a maior parte das empresas está sob a égide do capital, que visa o lucro pela apropriação da mão de obra e da força do trabalho; tendo como primazia a competitividade e o mercado agressivo, aonde os fracos não permanecem. Porém, é muito importante que este profissional permaneça neste lugar, pois sua contribuição é de suma importância para a melhoria das condições de trabalho, para a promoção da qualidade nas diversas formas relacionais entre indivíduos, já que possui as condições psicossociais e acadêmicas para mediar conflitos de forma equitativa e justa.

 

Referências Bibliográficas

ZAVATTARO, H. A. Diagnóstico Psico-Social da Organização: 3 modelos. Material Didático da UNIP.   

 

Código de Ética Profissional do Psicólogo. Conselho Federal de Psicologia, Brasília, agosto de 2005.

 

Os astros me ensinam meu lugar

Por Dâmaris A C Melgaço Eu gosto de contemplar a noite e de olhar para o céu. Ao olhar para cima, contemplo também a minha insignificância h...