quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Questões Contemporâneas sobre Liderança - Capítulo 12]:

A confiança: é a pedra fundamental da liderança, as pessoas só seguem e se deixam influenciar por um líder em quem confiam. “É uma expectativa positiva de que a outra pessoa não irá agir de maneira oportunista - seja por palavras, ações ou decisões.” A confiança é um atributo essencial associado a liderança. Existem três tipos de confiança nas relações organizacionais: 1) baseada na intimidação – relações mais frágeis, medo de represálias, 2) baseada no conhecimento – a previsibilidade de comportamento é a sua base que resulta de um histórico de interações e 3) baseada na identificação – permite que uma parte faça às vezes da outra e a substitua nas relações e transações interpessoais. 

Princípios Básicos da Confiança: a confiança aumenta a coesão e a desconfiança destrói o grupo. Geralmente ela reduz a produtividade. A desconfiança destrói a confiança, pois a confiança gera confiança. O crescimento do grupo muitas vezes mascara a desconfiança, portanto a redução de pessoal testa o mais alto grau de confiança. 

Dimensões da Confiança: integridade: honestidade: confiabilidade. São quatro as dimensões da confiança: 1) competência – habilidade e conhecimento técnico e interpessoal do indivíduo, 2) consistência – segurança, previsibilidade e capacidade de julgamento, 3) lealdade – disposição de proteger e defender outra pessoa e 4) abertura – você acredita que outra pessoa tem total confiança em você? 

Líder Carismático: este tipo de líder possui cinco características evidentes: 1) Visão e articulação: visão (meta idealizada que propõe um futuro melhor); 2) Risco pessoal: esses líderes estão dispostos a correr riscos pessoais, sofrer altos custos e submeter-se ao sacrifício para atingir sua visão; 3) Sensibilidade ao ambiente: avaliações realistas das limitações ambientais e dos recursos necessários para a mudança; 4) Sensibilidade para as necessidades dos liderados (são perceptíveis em relação às suas capacidades e e sensíveis às suas necessidades e sentimentos) e 5) Comportamentos não-convencionais (engajam-se em comportamentos percebidos como novidade e que vão contra as normas). Os seguidores do líder atribuem a ele capacidades heroicas ou extraordinárias de liderança quando observam determinados comportamentos. Como conselheiros, oferecem apoio e ajuda para forjar a autoconfiança deles “É uma expectativa positiva de que a outra pessoa não irá agir de maneira oportunista- seja por palavras, ações ou decisões.” 

A Influência nos liderados: Geralmente possuem uma visão atraente (desafiadora, mas não impossível) e inspiram os liderados a segui-lo apostando num presente versus um futuro melhor para a organização; tendo confiança no alcance das metas; inspirando um novo sistema de valores e um comportamento a ser seguido e instigando o autossacrifício e comportamentos não convencionais. Os prós e contras deste tipo de liderança são: 1) Liderança carismática versus alto desempenho e satisfação, 2) Pessoas motivadas, gostam e respeitam o seu líder e sentem mais satisfação, 3) Nem sempre é necessária para atingir o alto desempenho - não pode ser generalizado e 4) Carisma - interesses pessoais versus interesses organizacionais. 

Líderes Transacionais e Transformacionais: Líderes Transacionais: Este tipo de liderança conduz ou motiva seus seguidores na direção das metas estabelecidas por meio do esclarecimento dos papeis das exigências das tarefas. Líderes Transformacionais: Este tipo de liderança presta atenção às preocupações e as necessidades de desenvolvimento de cada um de seus liderados; modificam a maneira de seus seguidores verem as coisas, ajudando-os a pensar nos novos problemas de uma forma; são capazes de entusiasmar, incitar e inspirar as pessoas a darem o máximo de si na busca dos objetivos do grupo. Existem quatro características que diferenciam esses tipos de lideranças: 1) Enquanto o líder transacional recompensa contingente negociando a troca de recompensas por esforço, prometendo recompensar pelo bom desempenho e reconhecer as conquistas o líder transformacional oferece uma visão e o sentido da missão estimulando o orgulho e ganhando o respeito e a confiança. 2) Enquanto o líder transacional administra por exceção (ativa) procurando e observando desvios das regras e padrões, tomando as atitudes corretivas; o líder transformacional inspira comunicando suas altas expectativas, utilizando-se de símbolos para focar os esforços, expressando propósitos importantes de maneira simples, 3) Enquanto o líder transacional administra por exceção (passiva) intervindo apenas quando os padrões não são alcançados; o líder transformacional estimula o intelecto promovendo inteligência, racionalidade e a cuidadosa resolução de problemas e 4) Enquanto o líder transacional laissez-faire abdica de suas responsabilidades evitando a tomada de decisão; o líder transformacional considera o individual dando atenção personalizada, tratando cada funcionário individualmente, aconselhando e orientando. 

Enquadramento: É uma forma de os líderes influenciarem a maneira como os eventos serão vistos e compreendidos. Os lideres usam o enquadramento (incluindo ou excluindo fatos seletivamente) para influenciar a maneira como as outras pessoas vêem e interpretam a realidade. 

Líderes de Equipe: Um bom líder é aquele que consegue bons resultados, através do desempenho de sua equipe, incentivando o crescimento e preservando a harmonia e o bem estar do grupo. O papel do líder é fundamental no gerenciamento do capital humano e é por esse motivo que existe uma expectativa muito grande quanto ao desempenho desse profissional. Variáveis individuais, organizacionais ou relativas ao trabalho podem substituir um líder. 1) Seleção: testes de personalidade (extroversão, consciência, abertura para novos desafios). 2) Capacidade de auto monitoramento (capacidade de se ajustar diversas situações), 3) Inteligência emocional e 4) Entrevistas: avaliação de desempenho anteriores, habilidades verbais e traços de extroversão. São quatro os papéis dos líderes: a. Elemento de ligação com os componentes externos, b. Solucionadores de problemas, c. Administradores de conflitos e d. Treinadores. * Pessoas motivadas, gostam e respeitam o seu líder e sentem mais satisfação. 

Papel do Mentor: O papel do mentor inclui instrução, o aconselhamento e o patrocínio. Como instrutores os mentores ajudam a desenvolver as habilidades de seus prodígios, promoções e aumento salarial. Como conselheiros, oferecem apoio e ajuda para forjar a autoconfiança deles. Com o papel de patrocinadores eles intervêm ativamente em prol dos seus protegidos, buscando obter para eles as atribuições de destaque e usando a política para lhes conseguir promoções e aumento salarial. 

Liderança on-line x face-a-face: Na comunicação face a face, as palavras mais duras podem ser suavizadas por ações não verbais. Um sorriso e um gesto de conforto, por exemplo, podem minimizar o choque causado por termos como desapontamento, insatisfatório, inadequado ou abaixo das expectativas. Esse componente não verbal não existe nas interações online. A estrutura das palavras na comunicação digital também tem o poder de motivar ou desmotivar o receptor. O líder precisa se certificar de que o tom da mensagem reflete as emoções que ele pretende expressar. Deve haver tais questionamentos: 1) - A mensagem é formal ou informal?, 2) - Ela combina com o estilo verbal do emissor? 3) - Ela transmite o nível apropriado de importância ou urgência? Uma mensagem transmite mais do que informações superficiais. Do ponto de vista da liderança uma mensagem pode transmitir confiança ou desconfiança, status, orientação de trabalho ou sentimentos. Conceitos como estrutura do trabalho, comportamento apoiador e visão podem ser transmitidos tanto oralmente como por escrito. O que é necessário para exercer liderança online eficaz? Fazer a escolha correta sobre as palavras, a estrutura, o tom e o estilo de suas mensagens digitais. Fazer com que se desenvolva a habilidade de “ler nas entrelinhas” as mensagens que recebem. Da mesma forma que a inteligência emocional melhora a capacidade do sujeito de monitorar e avaliar as emoções das outras pessoas, os líderes online eficazes devem ser capazes de decifrar os componentes emocionais das mensagens. 

Análise Crítica 

O texto apresentou as diversas formas de liderança e a importância da mesma nos processos de confiança de um grupo que afeta a produtividade e os níveis de satisfação do mesmo. A liderança é importante à medida que esta se coloca na mediação do que realmente importa para o bem estar dos seus liderados. Atualmente, as políticas empresariais tem-se colocado numa posição mais “acolhedora” dos componentes de sua equipe e mais flexíveis em relação aos horários, tempo e metas no trabalho. Isto denota uma preocupação com o bem estar. O que criticamente precisamos analisar é se estas formas de amenizar o trabalho, realmente são essenciais para o trabalhador ou apenas um mascaramento das exigências mercadológicas que tem por metas a competitividade e a maior produção. 

No tocante as armadilhas presentes na corporação, o pseudoacolhimento disfarçado de benefícios, precisam ser estudadas por um olhar crítico, já que o incentivo e a inspiração de lideranças carismáticas e transformacionais formam a ideologia do muito fazer para então receber. O problema é que o trabalhador encantado pelas futuras promoções se aplica intensamente nas tarefas e cumprimentos de metas, trabalhando mais que o recomendável, sobrecarregando a vida laboral em detrimento a outras atividades como lazer e família. 

Este é o estado de alienação expresso em Marx, em que o cidadão vende a sua força de trabalho a baixo preço, enquanto engordam os burgueses. O neoliberalismo campeão em promover estes encantamentos aliciam pessoas no seu sistema recompensador que mais extrai do que dá. A pessoa acredita que está ganhando as benesses como recompensa de seu trabalho, mas o que ela usufrui é um mínimo daquilo que realmente produz. É a velha máxima do “põe o sapo em água morna até que cozinhe sem ver”. 

Referências Bibliográficas 

Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall.

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Abordagens Básicas sobre Liderança - Capítulo 11 – p. 257- 270]:

O que é liderança? É diferente de administração, pois envolve o enfrentamento da mudança enquanto administração é o enfrentamento da complexidade. O líder aponta metas futuras e engaja pessoas nessa visão através da comunicação sendo inspiração para a superação de obstáculos. Embora haja esta distinção entre as duas pesquisadores e executivos raramente fazem esta distinção. Então a definição de liderança é a capacidade de influenciar um grupo para alcançar metas. Nem todo administrador é líder e nem todo líder é um administrador. Líderes surgem de forma natural dentro de um grupo ou por indicação formal.
 
Teoria dos Traços (1930): Utilizada para definir características de liderança. Em pesquisas percebeu-se que uma das maiores características é a extroversão, porém muitos líderes a usam para atrair para si a sua vontade o que não implica que líderes com características de líder sejam eficazes. Conclui-se que as características de traço são determinantes do perfil de líder e eficazes para prever o surgimento de um líder, mas não para distingui-los em eficientes e não eficientes e que o fato de terem estas características não significa que serão bons líderes e que atingirão os objetivos para o grupo. 

Teorias Comportamentais (anos 40, década 1960): surgem pelas falhas dos traços. É a analise do comportamento da liderança em busca de especificidades no modo de se comportarem. As diferenças básicas entre a teoria de traços e a comportamental é que a primeira acredita no inatismo das qualidades de liderar e a segunda na formação de líder por contingências (programas para implantar comportamentos padrões). Alguns estudos foram feito dentro destas propostas:

 Estudo da Universidade Estadual de Ohio: buscaram identificar dimensões independentes do comportamento do líder e chegaram a duas categorias: estrutura de iniciação e estrutura de consideração. A primeira se refere em como o líder consegue definir e estruturar seu papel na liderança e o dos funcionários na busca dos objetivos. A segunda, estudou como o líder é capaz de manter as relações no trabalho como, confiança mútua, respeito as ideias de outrem e cuidado com os sentimentos alheios. Muitas pesquisas indicam que lideres com maior índice de consideração e iniciação conseguem obter melhor desempenho e satisfação dos funcionários do que os que possuem índices baixos.
 
Estudos da Universidade de Michigan: objetivaram estudar as características de liderança em relação com o desempenho eficaz e chegaram a duas dimensões: orientação para o funcionário e orientação para a produção. A primeira dá ênfase às relações interpessoais, isto significa que líderes voltados a esta dimensão demonstram interesse pessoal nas necessidades de seus funcionários. A segunda enfatiza os aspectos técnicos e práticos do trabalho. Isto significa que líderes com tendência a esta dimensão preocupam-se com as metas e a execução de tarefa e não com os seus membros. O estudo concluiu positividade para os líderes com orientação para o funcionário e negativo para o de produção, cujos resultados são baixo índice de produtividade e satisfação. 

O Grid Gerencial ou de Liderança: a partir dos estudos anteriores propôs 81posições diferentes para os estilos de liderança. Não mostra os resultados do líder, mas os fatores dominantes na forma dele pensar os resultados. Estudos Escandinavos (Finlândia e Suécia): especulam a existência de somente duas dimensões. Num mundo moderno, o comportamento deve voltar-se ao desenvolvimento. Liderança inovadora com novas maneiras de fazer as coisas, novas abordagens na resolução de problemas e incentivo a iniciar novas atividades. Os resultados foram estudos posteriores que coadunaram para a existência desta terceira dimensão. 

Teoria das Contingências: a impossibilidade de obter resultados levou a pesquisa sobre as influências da situação. Relação entre estilo e eficácia em determinada situação (a) podem apresentar resultados (b) ou (c). O modelo de Flieder: a eficácia do desempenho do grupo depende da adequação entre o estilo do líder e o grau de controle da situação. O fator essencial para o sucesso é o estilo de liderança. Ele criou o formulário do colega menos preferido (LPC) para descobrir o estilo básico de líder. Após a aplicação ocorre a definição da situação: a) relação entre líderes e liderados, b) estrutura da tarefa e c) poder da posição. Então, avalia-se a situação em relação a estas três variáveis contingenciais. Com os resultados é proposta a avaliação das variáveis e a adequação entre eles para chegar-se ao máximo da liderança eficaz. 

Teoria do Recurso definitivo: é a reconceitualização da mesma teoria com enfoque no estresse (como desvantagem situacional) e na reação do líder frente ao estresse (avaliação da experiência e da inteligência no enfrentamento do estresse). A teoria situacional de Hersey e Blanchard: teoria contingencial com foco nos liderados. O nível de prontidão dos liderados influi no estilo de liderança, pois são eles que aceitam ou não o líder. Esta teoria percebe a relação líder-liderado. 

A teoria da troca entre líder e liderados: argumenta que pela pressão do tempo o líder estabelece relação com um pequeno grupo (de dentro ou de confiança). Logo no inicio o líder já categoriza os de dentro e os de fora. Geralmente por afinidades ou por nível de competências. São as características dos liderados que conduzem esta decisão do líder e os de dentro acabam por receber mais vantagens. A teoria da meta e do caminho: é função do líder ajudar os subordinados a alcançarem as metas e dar orientação e apoio para assegurar que as metas sejam compatíveis com os objetivos organizacionais. Líderes eficazes abrem os caminhos para a efetivação das metas numa jornada mais fácil e com menos obstáculos. 

São 4 os comportamentos de liderança (House): líder diretivo; líder apoiador, líder participativo e líder orientado para a conquista. Pressupõe que os líderes são flexíveis podendo mostrar qualquer destes comportamentos. São propostas duas classes de variáveis contingenciais ou situacionais: ambientais e individuais. A primeira determina o tipo de comportamento esperado do líder e a segunda como o ambiente e o comportamento do líder são interpretados. O modelo de participação e liderança: relaciona o comportamento de liderança com a participação no processo decisório. O comportamento do líder deve se ajustar a estrutura da tarefa. Incorpora sete contingencias e cinco estilos de liderança. A desvantagem é que este modelo é muito complicado para ser usado por lideranças administrativas. É um modelo sofisticado, porém muito complexo (crítica). 


Análise Crítica 


O texto apresenta o papel da liderança e todos os modelos desenvolvidos em pesquisa que relacionam as articulações entre liderança e liderados. Apresenta os modelos da Teoria de Traços e Comportamentais. Percebe-se que há uma grande influência da abordagem behaviorista nas relações de trabalho. Esta teoria tende a reforçar estudos adaptativos e de ordem funcional e prática objetivista a serviço da organização. Não se percebe movimentos críticos das relações interpessoais apresentadas na teoria. Apenas a corroboração de técnicas e meios para manutenção de um melhor status quo profissional, traduzido na “liderança eficaz” que serve aos mecanismos de produção do capital. 


Referências Bibliográficas 


Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall.

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Comunicação - Capítulo 10 – p. 231- 255]:

Funções da Comunicação: são quatro: 1) Controle tanto da organização quanto dos colegas. Formalmente quando é informado que todo problema deve ser comunicado e informalmente quando pela reclamação há o controle do comportamento do colega no processo grupal. 2) Motivação através da comunicação do desempenho profissional e de como melhorá-lo, das metas e do nível de satisfação. 3) Expressão emocional: há comunicação entre pares de sentimentos e frustrações em relação ao trabalho. 4) Informações: há comunicação de dados necessários para a tomada de decisão. Toda comunicação dentro de um grupo é importante e abordam dentro de si estas quatro funções, portanto não há uma mais importante.
O processo da Comunicação: Mensagem para ser transmitida exige fonte (emissor-receptor), codificação (interpretação) e transmissão (via canal de mídia). São sete os processos da comunicação: 
Fonte: Imagem extraída da p.233 

A fonte inicia a mensagem do pensamento. A fala é a mensagem. O canal formal é a forma como a mensagem será transmitida na empresa. O canal informal é a forma social e individual de comunicação entre pares na empresa. O receptor recebe a mensagem do emissor e para tal os símbolos e significados precisam estar decodificados. O ruído é tudo o que cria barreira à comunicação (muita informação, linguagem e cultura). O feedback é a maneira como avalia-se se a comunicação foi perfeita em sua transmissão. 

Direção da Comunicação: divide-se em vertical ou horizontal: a vertical em ascendente e descendente e a horizontal em lateral. A comunicação descendente são as comunicações de chefias (de cima para baixo) e podem ser impessoais por correspondências eletrônicas e comunicados. As ascendentes são as comunicações dos funcionários às mais altas hierarquias (de baixo para cima) e servem para manter a chefia informada sobre os problemas e os níveis de satisfação em relação ao trabalho e a organização, geralmente comunicados por relatórios, pesquisas, caixa de sugestões, etc. A comunicação lateral ocorre entre membros de um mesmo grupo ou grupos de um mesmo nível, serve para facilitar as atividades entre pares, porém pode ser boa ou ruim para as chefias porque pode criar conflitos quando há o corte dos canais formais interrompendo a comunicação formal podendo pegar as chefias, de surpresa, em importantes decisões. 

Comunicação Interpessoal: a forma como as pessoas trocam mensagens ocorre de três maneiras: oralmente, por escrita e não verbalizada. 1) Comunicação oral: palestras e debates são vantajosos porque são rápidas e tem feedback em curto prazo. A desvantagem pode ser a intercomunicação por muitas pessoas o que facilita distorções da mensagem inicial. 2) Comunicação escrita: memorandos, cartas, e-mail, fax, jornal, informativos e murais são verificáveis e podem ser registradas. As vantagens são o cuidado com as palavras na comunicação, sendo mais clara e lógica. As desvantagens estão relacionados ao tempo gasto na elaboração escrita e o feedback ausente. 3) Comunicação não-verbal: movimentos corporais, entonação da voz e o distanciamento físico também comunicam sentimentos, pensamentos e mensagens. Existem duas mensagens importantes enviadas pelo corpo: 1) se uma pessoa gosta da outra e 2) o status estabelecido na comunicação. 

Comunicação Organizacional (redes formais, redes de rumores e meios eletrônicos). 1) Redes formais em pequenos grupos: são do tipo em cadeia que segue a cadeia formal. 1) tipo cadeia obedece 3 níveis rígidos e este tipo é preciso; 2) tipo roda: a comunicação grupal depende do líder e este tipo facilita a emergência do líder e 3) tipo todos os canais: não centraliza a comunicação num líder, mas circulariza a informação entre todos do grupo e este tipo satisfaz os membros. 

Fonte: Imagem extraída da p.238 

Rede de Rumores (sistema informal): possui três características: 1. Não é controlada pela chefia, 2. Tida como confiável e fidedigna pelos funcionários, mais que a formal e 3. Muito utilizada por interesses pessoais. Pesquisas demonstram que 75% das informações provenientes desta rede são verdadeiras. Não se trata de fofocas, mas de informações importantes para as pessoas, na presença de comunicação ambígua e que causam ansiedades. O que a mantém são o ambiente incerto e a ansiedade. É importante para as chefias porque filtram e dão feedback de situações relevantes, podendo ser um modo de tradução da comunicação formal para a linguagem do grupo. 

Comunicação Eletrônica (e-mail, redes intranet e extranet, vídeos conferências, etc.). Esta comunicação reduziu o número de memorandos e papeladas, pois; via e-mail, as correspondências chegam mais rápido entre computadores, facilitando a comunicação entre grupos, fornecedores, clientes, chefias, etc. As desvantagens do uso da internet são a possibilidade de desvios do trabalho para assuntos de interesse pessoal, a ausência do emocional e do conteúdo não-verbal, a facilitação de conflitos, já que escreve-se com maior facilidade o que não se tem coragem de dizer face-a-face. As mensagens instantâneas também estão presentes nas corporações. Escolhem-se pessoas em tempo real e emite-se um e-mail a todos ao mesmo tempo e é ótimo para as mensagens curtas. Redes intranet e extranet: a rede intranet é muito utilizada dentro da organização e agiliza comunicação eletrônica e telefônica via banda larga. A rede extranet conecta a organização aos principais fornecedores, clientes, e parceiros estratégicos. Videoconferência: Utiliza-se da intranet e extranet para realizar reuniões com pessoas em lugares diferentes. 

Gestão do Conhecimento: processo de organização e distribuição do saber coletivo da empresa, fazendo com que a informação chegue à pessoa certa, no momento certo. Vantagens competitivas e funcionários mais preparados. Há três razões do por que esta comunicação é importante: 1. Os ativos intelectuais são tão importantes quanto os físicos e financeiros, 2. Aproveitamento da riqueza de conhecimento ofertado pela nova geração e 3. O bom planejamento do conhecimento evita a redundância e organiza melhor a empresa. 

Escolha do Canal de Comunicação depende da mensagem que será enviada, se rotineira são diretas e menos ambíguas, se não rotineiras tendem a ser mais complicadas podendo ocorrer erros de transmissão, por isto a escolha dos canais de transmissão são muito importantes. 

Barreiras para a Comunicação Eficaz: são elas, filtragem, percepção seletiva, sobrecarga de informação, emoções, linguagem e medo da comunicação. 

Questões Atuais na Comunicação: 

Barreiras de comunicação entre homens e mulheres: a questão do sexo gera barreiras na comunicação oral, porque homens através da conversa reafirmam seu status e as mulheres criam conexão. As queixas são referentes à necessidade de falar pertinentes as mulheres e a falta de paciência dos homens em ouvir o que as mulheres têm a dizer. Homens são mais diretos que as mulheres, para os homens mulheres tendem a dissimulação por não irem direto ao ponto. Homens tendem dar a mulher características de fraqueza, menos autoconfiantes ou competentes. Esta pesquisa clássica generaliza e não é aceita como uma ideia para todos (Deborah Tannen). 

Silêncio como comunicação: o silêncio pode ser uma forma poderosa de comunicação, porque pode significar que alguém está reflexivo sobre algo, com medo de expressar-se, ansiosa, em concordância, em divergência, em frustração, em raiva. Há ligações entre o silêncio e o comportamento no trabalho e; deixar de prestar atenção aos silêncios em uma conversa de trabalho é perder uma parte vital da mensagem. Muitas vezes, a verdadeira mensagem da comunicação, está escondida no silêncio. 

A comunicação “politicamente correta”: certas palavras podem intimidar, ofender e fazer manutenção de estereótipos, por isto deve-se escolher um vocabulário não ofensivo. No entanto há críticas sobre o politicamente correto, já que este reduz o vocabulário e torna a comunicação mais difícil. 

Comunicação multicultural: um gesto agradável de uma cultura pode se tornar ofensivo e desagradável em outra. Barreiras culturais: prejudicam a comunicação pela linguagem. Barreiras semânticas: palavras têm significados diferentes. Barreiras causadas pelas conotações: as palavras têm implicações diversas nos diversos idiomas. Barreiras causadas pelas diferenças de entonação: às vezes a entonação depende do contexto. Barreiras causadas pelas diferenças de percepção: idiomas diferentes veem o mundo de forma diferente. Contexto Cultural: As culturas diferem quanto a influencia do contexto sobre o significado daquilo que é dito ou escrito. Um guia cultural: 1. Suponha que haja diferenças até que a similaridade seja comprovada, 2. Procure se ater a aspectos descritivos, em vez de interpretações ou avaliações, 3. Busque a empatia e 4. Trate suas interpretações como uma hipótese de trabalho. 

Análise Crítica 

A comunicação dentro das organizações tem funções específicas, é um processo que implica a presença de canais formais e informais, a diretividade da comunicação sendo esta interpessoal e organizacional. Ela possui uma rede de informações e instrumentalizações comunicativas. Ela abarca a gestão do conhecimento e como este será transmitido. Os processos comunicativos enfrentam barreiras que impedem a sua eficácia como filtragem, percepção seletiva, sobrecarga de informação, emoções, linguagem e medo da comunicação, diferenças de gênero e questões culturais. 

Diante do capítulo exposto chama atenção as questões de gênero como barreiras na organização para o trabalho. A pesquisa referenciada é reafirmadora de estereótipos culturais estabelecidos entre sexos. A psicologia organizacional precisa estar atenta a estas questões na atualidade, porque elas não implicam somente na desvalorização do trabalho feminino, mas também na exclusão de pessoas com diversidade sexual das atividades laborais. Pesquisas atuais apontam, em 2020, aumento da violência e de mortes das pessoas transexuais e travestis. Dados da Antra (2020) informam que muitas destas pessoas não são aceitas nas organizações do país, sendo marginalizadas e jogadas no desemprego. Por consequência elas apelam à prostituição, já que não possuem nenhuma legislação que lhes garanta o acesso ao emprego (Antra, 2020). 



Referências Bibliográficas 

Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall. 

Antra - Associação Nacional de Travestis e Transexuais. (2020). Assassinatos contra travestis e transexuais brasileiras em 2020. Boletim nº 04/2020 - 01 de janeiro a 31 de agosto de 2020. Recuperado de https://antrabrasil.files.wordpress.com/2020/09/ boletim-4-2020-assassinatos-antra-1.pdf.

 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Inovações Tecnológicas e a falácia da Educação Interativa

As últimas configurações sociais mostram-se cada dia mais "revolucionárias" às avessas, claro! A epidemia Covid-19 trouxe junto com ela algumas bagagens ideológicas, haja visto que somos uma ordem mundial com vistas a soberania estatal do lucro e da efusiva lógica de teor psicológico do seja "proativo"! 

Nesta perspectiva de fundo neoliberal àquele que não se reinventa se trumbica, como já dizia o velho guerreiro Chacrinha! O exorcismo social propõe a todo custo a expulsão das ideias comunistas. Quem já não ouviu a célebre frase: "Isto é coisa de comunista". Parece que os avanços sociais que levaram a população brasileira a pensar sobre educação e as mais insalubres formas de alienação, atualmente; ganham a caracterização de expurgo. 

Daí a necessidade de acabar com a educação formal, aquela presencial, do cara a cara, lugar de autonomia educacional. É claro que não somos ingênuos em acreditar que este é o fator primordial das orquestrações políticas mundiais. Isso seria reducionista.

Pela lógica do capital, a exploração é a máxima e, isto; cabe dentro da proatividade em tornar tragédia em LUCRO. Historicamente, nas várias sociedades quando havia a presença de grandes catástrofes que de alguma forma promoviam situações de problemáticas grupais sem controle, observava-se, na forma como as sociedades se envolviam para buscar soluções, uma pauta que envolvia um compromisso ético e uma ação política de ações coletivas. Isto na atualidade não é observado ou comum, já que sob a égide do capital enxerga-se os momentos de fragilidade coletiva como um "produto social". Isto significa que as promessas de controle são pautadas na venda de ilusão de possíveis soluções que sempre estão a serviço dos ideais das forças produtivas (Valêncio, 2011).  

Nada mais ilusório do que as soluções encontradas nas novas tecnologias. E mais uma vez vence a lógica da exploração social das tragédias. A educação tem sido enredada por esta infelicidade. Observa-se que as universidades privadas sempre na busca do maior lucro abocanharam com força o momento, oferecendo ensino EAD com o mínimo aproveitamento, mas com o maior lucro, já que não diminuíram as mensalidades. 

Algumas Universidades na pachorra dos lucros, diminuíram a mão de obra demitindo em massa funcionários, entre eles muitos professores. Propuseram aulas nacionais com salas virtuais comportando mais de hum mil alunos, e um único professor. Provas em salas de aula Google, Teams, etc. Plataformas digitais ganharam espaço, Zoom, Skype, Wattsapp, etc. Os alunos fingiram que aprenderam e os docentes que ensinaram. E na lógica do lucro, vale manter o idiota "idiotizado". No país dos bobos de número zero em educação! 

E a educação pública como fica? Na política dos estados alunos perderam o ano, mas a ilusão de que nos próximos dois tudo estará recuperado é vendido aos borbulhões. E há quem acredite! Pior! As Universidades federais, estaduais ganharam o status de novas habilitadas para o ensino virtual! Em nome da proatividade, professores tiveram que se reinventar. Ou reinventa, ou perde alianças, investimentos. 

No caminho da inclusão digital, ninguém lembrou que nesse país de desigualdades, tem acesso à educação quem tem o mínimo de estrutura financeira para acessar as plataformas digitais. Ignoraram o pobre provedor de família, mãe, mulher, guerreira que acorda de manhã às cinco e só volta às dezenove horas pra casa. Ignoraram as realidades de inacesso a tecnologia, ao computador, a internet e por aí vai. Ignoraram a fome, a miséria, o analfabetismo funcional.

Que país é esse? O país dos burgueses de colarinho branco! Dos impunes! Dos reacionários! O país da miserabilidade econômica! O país que brinca de ser Estados Unidos da América! Uma ode a derrocada educacional comemorada com taças de champanhe e caviar! 





domingo, 25 de outubro de 2020

É sobre pedagogia, didática e atuação profissional que queremos falar?

A história da pedagogia é longa e passou pela influência de muitos períodos históricos, ideologias dominantes e imposições metodológicas. Assim como as matrizes psicológicas tiveram suas influências político-sociais, os paradigmas pedagógicos também o tiveram.

A questão metodológica da educação está que nenhuma metodologia está imune as ideologias vigentes na sociedade. O problema que envolve a didática e a formação profissional do pedagogo ou professor está intimamente atrelada às suas próprias concepções de ensino, claro que estas foram aprioristicamente apropriadas da interação social, política e cultural de sua experiência comunitária.

Durante muito tempo houve embates entre duas correntes principais: uma tradicional datada de longas datas, desde os tempos mais clássicos e uma revolucionária que buscou retirar da mão do educador ou mestre o poder central, dando ao aluno um maior poder. 

Os que se aproximam da referência mais clássica e tradicional expõem claramente que ainda acreditam na premissa do mestre e do discípulo. Talvez eles se contorçam na cadeira por esta ideia, mas o mestre era aquele que detinha o saber maior e por detê-lo traziam consigo uma fila de discípulos aprendizes, seguidores fiéis.

O mestre não podia ser questionado, já que era dotado de status quo - superioridade - uma certa deidade a ser imitada, seguida. A educação tradicional sempre teve este status. O aluno é apenas um mero aprendiz e seu professor o mestre - dotado de todo o saber. 

Esta questão relevante na educação faz-nos pensar um certo narcisismo da inquestionabilidade, bem contrária a dialética que propõe os embates provenientes da contradição. Só para pensar...

Pensando a dialética, não seria mais propício os diálogos existentes entre os mestres e os aprendizes do que a imposição de ideologias? A moeda tem dois lados. Se de um lado a hegemonia estatal capitalista detêm o poder e impõe o conhecimento sob seu viés, também do outro lado a sociedade sob os prismas socialistas impõe a sua ideologia. Data vênia relembrar a história das tentativas desastrosas desta forma de fazer governo na história, não que estas tenham sido piores que os estragos do capitalismo, mas também não foram as melhores.

Tanto o capitalismo quanto o socialismo partem de premissas básicas: alguém detém o poder. É fato... Não gostamos de falar sobre a perda da autonomia em ditaduras que impõem heteronímia humana?

Educar deveria ser um ato revolucionário a medida que agrega valores nos saberes, não retirando do professor a sua condição de mestre e de aprendiz. Isso, meus caros, é práxis. Nem mesmo os grandes mestres detinham todo o "saber". O conhecimento e a prática são geratriz de muitos outros aprendizados.

O educador que toma para si a arrogância da inquestionabilidade, ganha discípulos mudos, sem personalidade. Ganha papagaios de pirata que repetem seus ditos. O verdadeiro educador ensina pensar. E é pensando que se aprende a ter consciência reflexiva, de uma filosofia da práxis, mesmo que este aprendiz discorde de ti. E será pela dialética argumentativa que outros saberes se construirão. 

  Namastê :)




sábado, 17 de outubro de 2020

Pensando o Suicídio. Reflexões Fenomenológicas 3

Por Damaris Melgaço

O homem quando expropriado de sua produção criativa torna-se prisão. O suicídio, então; é possibilidade de um último ato produtivo que rompe com o distanciamento existente entre ser aí e ser dasein.

Pensar o suicídio de forma objetiva exige elaboração de campos históricos e de contextos culturais. Marx ao abordar o assunto faz relação com as questões propriamente relativas às condições do trabalho no sistema capitalista. O autor alega que são as formas de coexistir na sociedade do capital são determinantes para a  morte ou a decisão pela morte.

Para Marx, o homem quando desapropriado de sua produção e compulsoriamente jogado as condições de miserabilidade econômica pelo sistema monetário a que se submete, toma para si a possibilidade da desistência da vida. O fenômeno do suicídio sempre esteve presente ao longo da história nas mais variadas formas de  organização política, inclusive nas sociedades socialistas. Isto é algo que motiva reflexão.

É claro que esta razão econômica sempre perpassou e ainda perpassa o ideário social. No Brasil, o índice de suicídios tem crescido assustadoramente. A maior parte ocorre por motivações nem sempre específicas ou objetivadas. O que mais se ouve são proposições de possibilidades de ordem orgânica em adoecimento, dentre eles; a depressão, estados ansiógenos e psicóticos.

A questão levantada é por que há tantos estados adoecidos na sociedade ocidental? Como estes processos se dão? Há uma lista gigantesca a ser debatida. A fugacidade da vida, a chamada  superficialidade, as relações abstratas, a sociedade do consumo, os distanciamentos das relações interacionais, etc. A questão primordial refere-se a expropriação do ser de si e dos outros, mas como este processo de expropriação ocorre? Nesta questão, retomado em Marx as questões mais básicas, pode-se buscar explicações plausíveis a este fenômeno social.

O homem advém de suas produções e é nelas que o sentimento de utilidade se completa. Sejam nas produções de trabalho intelectual ou material, cuja força é exigida, os homens encontram o prazer produtivo. O prazer produtivo é dotado de energia vital que dá ao homem a realização, o prazer e o poder criativo. 

Nas bases mais primitivas, na luta pela sobrevivência, as necessidades são de preservação e manutenção de si e de outros. A luta e a fuga são ativos do medo e reinventados na produção de materiais protetivos. A produção humana, fruto do trabalho, é em si um bem maior dotado de poder e de domínio sobre outras espécies. A dominação, por si só, é; sem dúvida, liberdade. E é pela liberdade que o homem luta e labuta.

As invenções sociais, a medida que foram sendo necessárias, iniciaram os processos de castração da liberdade, pois a convivência coletiva exigiu que a liberdade de alguma forma fosse cerceada. A criação das regras foram a construção coletiva para estabelecer a comunicação e a interação necessárias para a boa convivência.

Todo este processo, em si, não é retrocesso, já que ele, pela própria distribuição da coletividade, se fez por um bem maior; a melhor convivência nos espaços sociais. A questão do suicídio não ocorre pelas formas rudimentais de comunicação ou apropriação espacial, mas pelas invasões territoriais dos espaços intrínsecos e individuais do existir humano. A transferência da volição primitiva pela conquista dos espaços enquanto domínio, quando transposta para o campo da individualidade intrínseca, talvez; seja a grande chave da inexistência e apatia existencial. Nestas condições o ser humano é tornado propriedade de outro e não de si. Eis aí a questão mais pungente na relação morte e vida.

Acostumado a existir para a produção criativa, o homem agora é expropriado de sua função primeira para acolher uma única produção universal, agora assumida como a mais importante verdade conhecida. A diminuição da autonomia criativa, seja na produção de suas ferramentas, sistemas, mitos e conhecimentos, causa apatia social. 

Geralmente, àqueles; acostumados e condicionados a expropriação, se reproduzem na imitação e permanência inconsciente de sua condição. Ao retomar o mito da caverna de Platão, pode-se repensar como a inércia presentifica a transmutalidade do mito em fascínio reduzido ao medo do desconhecido. Nestas condições alienantes da real face do mito, o homem não retoma a consciência e não sente e se não sente; se ressente.

Quando despertos de sua consciência, há nestes homens o desejo de reapropriação dos espaços antes invadidos e expropriados. Diante de toda a força existente na pressão comunitária, em forma organizada de políticas sociais, que subordinam os seres às autarquias, renascem as ideias maniqueístas que entendem a igualdade das origens que não necessitam de subordinações no campo individual do existir.

Estes homens, dotados da consciência crítica das relações em sociedade, são os inconformados. E assim, o sendo; despertam-se para a luta contra toda forma de opressão. Em Marx, pode-se perceber a anuência do consciente. É permitido pensar a sociedade em suas bases materiais. É permitido questionar estas bases. É inerente ao homem pensar sobre si e os outros e nos processos da coletividade.

Ser consciente é doloroso porque perceber as injustiças existentes, naquilo que constitui humanidades, é responsabilidade. E se é responsabilidade é culpa. E se é culpa é morte. E se é morte é luto. E se é luto é viver na obscuridade existencial. É morrer na existência.

A ideia do suicídio é um antagonismo da existência, pois se já não vivo na vida, confirmo na literalidade quando enfrento a morte. A finitude no existencialismo é o ponto crucial do existir. A morte é a maior proximidade do dasein, pois é ali que o eu real se manifesta, sem as brumas da inexistência. Portanto, suicidar-se é possibilidade de autonomia e resgate de si, mesmo que a obscuridade do pós-morte amedronte. No entanto, o suicida já experimentado da morte do ser nada teme. 

O medo é o princípio da vida e da luta pela sobrevivência. Moreno nos conta que suas experiências infantis lhe deram o estarte para a questão do ser. Em suas brincadeiras dramáticas, aonde rei e senhor ele era, certa feita ousou pular de sua cama e o resultado foi um machucado fenomenal. A partir deste memorial, entendeu um princípio básico, o de que o medo é o freio que nos estagna e nos coloca em vigília pela vida.

O ato de libertar-se implica em aceitar os limites da existência. O homem livre sabe que o seu poder criativo restringe-se a sua finitude. Eis aí o empasse final. O suicida transpassa o limite que o sufoca, incluso o de seu finito, na esperança de retomar o controle de seu poder criativo ou produtivo num ato final. O da tragédia humana.

Como numa peça de teatro, ele atua o último ato. Nada mais propício lembrar de Shakespeare e o ato final de Romeu e Julieta. A trágica estória mesmo que por acaso retoma o ato suicida como o apogeu e a vitória dos amantes. É na finitude da existência que há a libertação de toda opressão.

Entendendo que todos os seres são atores de sua existência e que são dotados de liberdade para escolher entre a vida e a morte, compreende-se o ato livre suicida como a expressão de todo o peso existencial que carrega. Não se pode condená-lo, pois muitos homens já pensaram em fazê-lo. 

Outros empobrecidos e inebriados pela existência da opressão, suicidam-se diariamente nas montanhas de álcool, coquetéis, cigarros, excessos alimentares, sexuais, etc. Os excessos nada mais são que discursos velados da opressão vivida. E não importam os apelos sociais, está-se a caminho da inevitável morte. Morte já experimentada em vida. Verdadeiras operações camicase.

A questão que se desvela não é a culpabilização de suicidas, mas a retomada da consciência suicida. 

Não ignoro em nenhum momento que o materialismo histórico-dialético se contrapõe a fenomenologia e que esta é uma abordagem humanista que prioriza a individualidade subjetiva de indivíduos. No entanto, a abordagem do fenômeno suicídio não ignora suas contradições.




domingo, 11 de outubro de 2020

Práxis: desvelando princípios básicos.

 Por Damaris Melgaço


Práxis, palavrinha tão usada nos meios educacionais, mas você sabe o que significa?

O termo aparece já nos tempos homéricos, quando eleva a contemplação filosófica ao status quo de positividade e de reflexão. Nesta época há uma verdadeira distinção entre as produções voltadas a intelectualidade e as produções de trabalho manual. Um homem elevado intelectualmente não deveria se ocupar de trabalhos comuns. Era vergonhoso.

O período renascentista trouxe com ele questionamentos interessantes sobre a intelectualidade, desbravou a filosofia até então existente, rompeu com padrões estéticos, promoveu novas estéticas, adentrou ao mundo da presunção do domínio, herança feudal, supervalorizou a moeda, fetichizou e tornou a acumulação de bens um ideal. Surgem agora os ideias do capital e a práxis fundante da economia capitalista ditou novos rumos a práxis, agora não mais de cunho filosófico contemplativo, mas separatista e classificatório, como de pertencer; e despertencer, ou seja; somente pertence quem domina. E quem domina possui o conhecimento e a produção do mesmo. Aos dominados resta-lhes ser expropriado de si para acatar passivamente os ideais de predomínio agora estatal. Se antes o incentivo a contemplação e a elevação humana era prioridade, agora é de pertença de apenas alguns. 

Marx em seus estudos inicia um movimento de base que dá a práxis uma nova dinâmica. Em sua filosofia da práxis ele concebe uma práxis que é constante e sempre existente nas atividades humanas. Ele reitera a práxis não separada dos movimentos de historicidade humana, sendo fundante de toda ação social existente e de construções coletivas. A práxis não pode ser negada e é o que é dada a realidade ideológica que a guia ou direciona. Em Marx a práxis desvela-se para além de sua existência, já que ele dá a ela um caráter de criticidade.  

Ele reconhece a existência da práxis enquanto movimento que é continuo ao longo da história das civilizações humanas. É dinâmica e se altera conforme as estruturas sociais e políticas também se alteram. Então, para entender práxis, em Marx, não se deve separá-la da unidade, como se em algum momento houvesse duas coisas a se juntarem: a prática e a teoria. Para este autor as políticas do capital o fazem, pois separam, em suas divisões de classe, a teoria da prática, já que o homem letrado possui a teoria a favor de si e do estado e o proletário a prática do exercício laboral.

Desta forma para Marx, o capital sequestra a unidade para si, desmembrando a práxis em condição reiterativa e espontânea. Desta forma a práxis torna-se apenas a assunção de valores e ideais pela imitação daquilo que é dado, imposto e desprovido de sentido. A consciência acaba prisioneira de estados alienantes; sem expressividade.

É esta condição que o autor denuncia em seus estudos teóricos: a alienação da consciência. A práxis, em Marx, ganha conotações de denúncia que toma por base a reflexão e a produção criadora, pois surge de uma necessidade e busca por soluções, sendo um processo que não se repete. Ao mesmo tempo um estado de retomada da consciência de mundo ou consciência da práxis para refletir a prática, tendo em si mesmo um caráter revolucionário.

O autor propõe a retomada da consciência da práxis, propõe o resgate do valor produtivo humano em sua integralidade, sem dicotomizar, separando ou classificando em mais valia, ou seja; em contrabalanço da atividade laboral nas balanças injustas que ora exigem maior produtividade do trabalhador, ora impõem maior produtividade via tecnologias. Propõe a retomada, nem que seja a força, do direito de usufruir da integralidade do trabalho que é o resultado de toda produção humana. Não há distinção entre atividade, já que toda atividade é valor em si. 

Para Marx o conhecimento é a bússola da prática, é norteadora do caminho de produção e é direito de todos. A globalização do caminho conhecido é que estas forças retroagem em si mesmas porque em algum momento por necessidade o homem pensou sua prática, idealizou uma ação que produziu algo, que registrou as gerações aquele novo saber que não se repetiu, mas evoluiu tendo como norte o que dantes conheceu, produzindo novas exigências e novas produções e novos saberes.

Portanto, práxis não é a junção e nem a separação entre teoria e prática, é mais; é movimento constante, como as rodas de um carro; pois ao mesmo tempo que produz conhecimento, também produz prática e ambos se geram no caminho da transformação daquela realidade. Em Marx a práxis ganha valor político, ético, revolucionário com potenciais de transformação social, e ela tem por base a crítica reflexiva.

Os astros me ensinam meu lugar

Por Dâmaris A C Melgaço Eu gosto de contemplar a noite e de olhar para o céu. Ao olhar para cima, contemplo também a minha insignificância h...