segunda-feira, 23 de novembro de 2020

SOMATIZAÇÃO NA GESTAÇÃO: A RELAÇÃO DAS ANSIEDADES E IMPRESSÕES ONÍRICAS SOB A PERSPECTIVA PSICANALÍTICA.

 http://pepsic.bvsalud.org/pdf/vinculo/v17n1/v17n1a08.pdf

 

[i]Co/ BONASSI, Silvia Maria

[ii]A/ MELGACO, Damaris Alcídia da Costa

Resumo

Este estudo objetivou investigar o viés epistemológico que compõe o raciocínio ideológico do profissional psicólogo junto à equipe multidisciplinar e a gestante, e como essa percepção afeta a qualidade dos atendimentos de queixas de ansiedade e sintomas psicossomáticos durante o pré-natal numa Unidade de Saúde da Família no centro oeste brasileiro. A escuta e reflexão psicanalítica junto a oito gestantes e quatro profissionais de saúde, enfatizaram a importância do suporte social, da humanização, e dos processos autônomos na gestação, da própria relação objetal e existencial. Foram usados roteiros de entrevistas semidirigida. A análise de entrevistas e inter-relações dos discursos das participantes indicou que todas tem um parceiro fixo, 62,5% estão no terceiro trimestre gestacional e são trabalhadoras.  Os sentimentos mais frequentes das gestantes foram ansiedade, insegurança, intranquilidade e cansaço, somatizações comuns ao terceiro trimestre gestacional. A conscientização e a concretização dos direitos fundamentais quanto à saúde biopsicossocial e também quanto à constituição do vínculo mãe-bebê e profissional-paciente poderão ser desenvolvidas. As gestantes sentem falta da escuta e humanização no serviço de psicologia e que segundo a percepção das gestantes está insatisfatório, pois o serviço ocorre em baixa frequência e em grupos numerosos o que dificulta o acesso a esse profissional.  

Palavras-chave: Pré-natal. Humanização. Psicossomática.

Resumen

Este estudio pretende investigar el sesgo epistemológico que constituye el razonamiento ideológico de los psicólogos por el equipo multidisciplinario y las mujeres embarazadas, y cómo esta percepción influye en la calidad de atención quejas y síntomas de ansiedad durante el prenatal unidad psicosomática de la salud de la familia en el centro occidental de Brasil. La escucha psicoanalítica y ponderación a lo largo de las ocho mujeres embarazadas y cuatro profesionales de la salud, destacó la importancia del apoyo social de humanización y procesos autónomos en embarazo, objetal y relación existencial de sí mismo. Guión de entrevistas semi dirigidas fueron utilizados. El análisis de entrevistas y las interrelaciones de los discursos de los participantes indica que todos tienen una pareja fija y 62,5% en el tercer trimestre gestacional son trabajadores. Los sentimientos más frecuentes de las embarazadas fueron ansiedad, inseguridad, malestar y cansancio, somatizações común en el tercer trimestre del embarazo. Pueden desarrollar el conocimiento y aplicación de los derechos fundamentales en cuanto a la salud biopsicosocial y también en cuanto a la Constitución del vínculo madre-bebé y profesional-paciente. Las mujeres embarazadas pierda su escucha y humanización de la psicología y que según la percepción de las mujeres embarazadas es insuficiente, porque el servicio ocurre en baja frecuencia y en numerosos grupos que hace el acceso a este profesional.

Palabras claves: Prenatal. Humanización. Psicosomáticas

Abstract

This study aimed to investigate the epistemological bias that makes up the ideological reasoning of psychologists by the multidisciplinary team and pregnant women, and how this perception affects the quality of care complaints and anxiety symptoms during the prenatal unit psychosomatic of family health in Central Western Brazil. The psychoanalytic listening and pondering along the eight pregnant women and four health professionals, emphasized the importance of social support of humanization, and autonomous processes in pregnancy, objetal and existential relationship itself. Script of semi-directed interviews were used. The analysis of interviews and interrelationships of the speeches of the participants indicated that they all have a fixed partner, 62.5% are in the third trimester and gestational are workers. The most frequent feelings of pregnant women were anxiety, insecurity, unrest and tiredness, somatizações common to the third trimester pregnancy. The awareness and implementation of fundamental rights as to biopsychosocial health and also as to the Constitution of the mother-baby bond and professional-patient can be developed. Pregnant women miss their listening and humanization of psychology and who according to perception of pregnant women is unsatisfactory, because the service occurs at low frequency and in numerous groups which makes access to this professional.

Keywords: Prenatal. Humanization. Psychosomatic.

Introdução

A psicanálise tem uma relação direta com a psicossomática, pois historicamente através de Freud (1856-1939) e seus estudos com as histéricas inaugura-se a era das associações entre os resultados dos assuntos inconscientes manifestos no corpo e as implicações destes no estabelecimento do ser social, ou seja, em Freud estabelecem-se as inter-relações entre o soma, a psique e o estabelecimento do “eu” reconhecido. Sendo o corpo a fonte das pulsões e o responsável pela satisfação destas pulsões emocionais foi dado em Freud o gatilho para que a construção de uma metapsicologia fosse entendida como uma abordagem singular e diferenciada (Freud, 1925, 1926, 1893, 1896, Oliveira, 2010, Quinodoz, 2007).

Ao analisarmos Freud em seu contexto histórico podemos inferir seu caráter revolucionário voltado às minorias psicológicas, já que impossibilitado de tratar “histeria masculina”, teve como principais pacientes mulheres que eram rejeitadas pelos médicos, na busca de um resgate da alteridade feminina. Considerando que em Viena a mulher era vista como uma pessoa sem voz, coube a ação subversiva e revolucionária deste pensador devolver-lhes a palavra por meio da escuta atenta. Afinal, o próprio termo “mulher histérica” ou “caráter nervoso” retoma valores cristalizados e representações sociais estereotipadas em relação ao feminino, fruto de uma sociedade patriarcal e machista (Freud, 1925, 1926, 1896, 1893, Quinodoz, 2007, Winograd & Klautau, 2014).

Decorridos anos a psicossomática tomou forma e vários autores pós-freudianos desenvolveram teorias específicas a esta área, entre eles Ferenczi (1909), Groddeck (1917), Alexander (1950) e Winnicott (1988). O primeiro entendeu as manifestações do soma como gritos corporais que denunciavam expressões ocultas da psique, o segundo entendia que ao descobrir a fonte libidinal adoecida certamente o agravamento desta fonte levaria a cura orgânica, o terceiro iniciou a vertente da medicina psicossomática que acreditava na relação entre a emoção e os transtornos viscerais, ou seja, uma emoção forte levaria ao transtorno visceral e este por sua vez levaria à doença orgânica. Por fim, Winnicott postularia a dicotomização do olhar direcionado ao humano, uma vez que o soma e a psique são uma realidade existente e as interações ocorrentes entre elas não são triviais, sendo as diferenciações entre corpo-psique-mente essenciais para a compreensão das estruturas funcionais destes elementos (Alexander, 1950; Ferenczi, 1909; Groddeck, 1917, Soto, 2006, Winnicott, 1988).

Partindo da premissa revolucionária da psicanálise insiste-se que esta é atual e deve ser utilizada em contextos diversos como a área da saúde em processos coletivos e grupais que busquem a excelência desta matriz psicológica e seu referencial teórico integrado à psicologia social. Longe de ser uma psicologia de consultório, a psicanálise moderna constrói enlaces atuais sem perder o caráter a priori humanizado. Afinal, em tempos modernos, exigências como o suporte social e a humanização - SUAS, são impostas ao trabalho do psicólogo junto aos contextos de saúde (Rapoport & Piccinini, 2006; Ministério da Saúde, 2004).

Sendo o caráter progressista desta matriz aprioristicamente direcionado ao estudo do funcionamento psíquico da mulher e sua libertação despudorada, ao tratarmos da gestação e dos processos ansiógenos envolvidos neste período é essencial que a psicanálise retome seu referencial teórico libertador. Assim como nos estudos da histeria, na atualidade ela mantém a importância das realidades vivenciais, tomando-as por material de trabalho, dando ênfase e valor as incertezas, aos pequenos saberes, numa busca constante de soluções para os eventuais desacordos, valorando a “palavra” que conduz a ação. Não somente isto, mas fazendo uso de suas técnicas e compreensões das fases psicossexuais e as implicações na forma reconhecida do eu, bem como das traduções oníricas reveladoras das emergentes pulsões do inconsciente incansável em sua busca da realização e do prazer (Freud, 1893, 1896, Myssior, 2007, Winograd & Klautau, 2014).

1 Processos Ansiógenos, Doenças Psicossomáticas e Suporte Social na Gestação

A gestação, segundo vários estudiosos, é um período que mexe com as matrizes vinculares da mulher e todos que a rodeiam. Neste período mudanças orgânicas (soma) e psicológicas (psique) ocorrem e marcam o campo social simbólico. Emergem uma nova realidade e esta retoma as vivências psicossociais anteriores.  Uma gestação permeada por ansiedades e inseguranças pode ser potencialmente um terreno fértil para o aparecimento de doenças psicossomáticas, inclusive a manifestação de patologias emergentes no campo social, sendo dominante na saúde mental da mulher e de seus familiares (Ferreira, Elias & Corrêa, 2018, Maldonado, 2010).

Winnicott (1988) afirma que tornar-se uma mãe suficientemente boa não está somente ligado ao futuro, mas também ao passado, pois os vínculos são circulares, ou seja, a mesma mãe um dia foi o bebê e as determinações interacionais do ambiente e da antiga maternagem construíram o seu self maduro e autônomo. Muitas expectativas recaem sobre a mãe em relação a uma suposta aprovação de maternagem e este é um dos fatores que contribuem para o surgimento das manifestações de ordem patológica.

Muitos são os sintomas que denunciam uma possível manifestação psicossomática, entre eles sonolência, náuseas e vômitos, hipertensão, lipotimias, hipermemese, diarreias, constipação pertinaz, edemas, aumento excessivo de peso, caimbras, alterações da pressão arterial, etc. Estes sintomas denunciam uma “regressão” inicial que retoma a identificação fetal pela mãe de suas primeiras experiências (Soifer, 1980, Szejer & Stewart, 1997, Winnicott, 1988). 

Alterações orgânicas são percebidas o que desencadeia a regressão, uma imensa solidão é experimentada nesta vivência e retroage em diferentes reações. Uma dupla identificação se estabelece a nível consciente e inconsciente e percorre o caminho da projeção tanto com o bebê gestado como com antigos modelos educativos. Dores inespecíficas, mal-estar e indisposição emergem das necessidades regressivas referentes à carência de proteção e cuidado. O lugar do filho agora é o de competidor da atenção. Desta forma a criança aparece como o algoz que pode tirar a vida da mãe (Maldonado, 2010, Szejer & Stewart, 1997, Soifer, 1980).

Processos mal construídos que desqualificam a imagem da mulher são instrumentos de fragilidade egoica e impõem sentimentos incapacitantes, autojulgamento e pensamentos destrutivos que podem levar a perdas gestacionais e má formação fetal. As influências das interações que antecederam a futura mãe durante o seu desenvolvimento na infância acarretarão fortemente na probabilidade de ocorrências psicopatológicas e doenças relacionadas às estruturas de sua personalidade, doenças como fobias, histerias, depressão, hipocondria, etc. relacionadas a processos ansiógenos poderão aparecer ou tornarem-se mais visíveis na gestação (Maldonado, 2010, Szejer & Stewart, 1997, Soifer, 1980, Winnicott, 1988).

Ao compreendermos as implicações psicológicas desta fase da mulher manifestas na organicidade feminina, bem como nas inter-relações sociais da mesma faz-se necessário retomarmos a importância do viés epistemológico profissional nas traduções oníricas da gestação. O lugar da psicanálise, aqui, deve ficar bem claro e as diferenciações da visão materialista predominante na medicina biológica são fundamentais. Romper com a lógica biomédica da medicalização é importante para recuperarmos o lugar que a psicanálise deveria ocupar: o da escuta atenta (Cruz & Pereira Jr., 2011, Ursin, 2000).

Na medicina biológica as leituras originalmente positivistas têm sido questionadas na atualidade. Estudos apontam para uma relação entre mente e corpo e sintomas psicossomáticos. Está confirmada a relação entre o sistema nervoso autônomo e o sistema límbico e que as vivencias de ordem emocional e afetiva em contexto cultural afetam estes sistemas. Logo, é mais importante conhecer as pistas que o material psíquico acidental dos indivíduos dá do que os processos psicossomáticos, porque seria através de uma busca dos significados dos sintomas que se chegaria a uma resolução do problema (Ursin, 2000, Kaltenbeck, 1990).

Ora, cabe à psicanálise descobrir estas pistas. Desta forma ela precisa desvencilhar-se das influências do discurso científico, médico, que foi seu mantenedor por longas datas e que divide o corpo e a mente postulando ao corpo um curso naturalizante de leis biológicas, sem que a participação dos indivíduos seja considerada ativa e preponderante nos estados orgânicos.  Ela precisa desvelar-se desta ciência que até entende as influências dos estados conscientes e inconscientes da mente, mas os relega ao segundo plano, tornando-os fatores irrelevantes (Bastos & Gondim, 2010, Myssior, 2007).

Aliados a esta disposição de sair do campo do individualismo para adentrar ao campo da coletividade social desvinculando-se das visões cristalizadas que impõem uma norma a psicanálise retoma o olhar profundo necessário para compreender os contextos integrais da gestante ampliando o seu campo da visão e da escuta. Dados como a historiografia vincular, o contexto sócio-econômico-cultural e a qualidade da assistência que recebe ajudam os profissionais a se conectarem ao amplo espaço social em que esta mulher grávida está inserida. Desta maneira há a possibilidade de obter material suficiente para que um diagnóstico situacional seja formado, ultrapassando a visão biologizante de diagnósticos puramente clínicos e psicopatológicos (Bastos & Gondim, 2010, Maldonado, 2010).

2 Método

2.1 Amostra

Compõe-se de oito mulheres gestantes do primeiro ao nono mês gestacional e quatro profissionais da equipe multidisciplinar (psicóloga, fisioterapeuta, nutricionista e enfermeira) de um município do centro oeste brasileiro.

2.2 Procedimentos

Desenvolveu-se contato com a instituição para esclarecimento dos objetivos e procedimentos da pesquisa. Posteriormente solicitou-se a assinatura de termo de compromisso e consentimento dos responsáveis pelas unidades municipais de atendimentos pré-natais e do pesquisador, bem como de todas as participantes da pesquisa. Definiram-se as estratégias de pesquisa e de horários para permanência no serviço conforme realidade diagnosticada.

3. Resultados e Discussão

O presente estudo objetivava investigar o viés epistemológico que compõe o raciocínio ideológico do profissional psicólogo junto à equipe multidisciplinar e a gestante, e como essa percepção afeta a qualidade dos atendimentos de queixas de ansiedade e sintomas psicossomáticos durante o acompanhamento pré-natal. Ao trabalharmos com as gestantes e profissionais do NASF/UBS se fez necessário interrelacionar os discursos, bem como as perspectivas ideológicas de cada participante. Os anseios, medos e expectativas referentes não só à gestação como também profissional na construção sociocultural, já que os indivíduos não se separam de sua totalidade, ou seja, são pessoas dotadas de subjetividades e expressividades diversas apreendidas na cultura e pela cultura.

Foi importante elencar o papel do meio social para entender as relações objetais dadas entre humanidades. Para tanto, o olhar objetivo e perceptivo dessas relações por parte do pesquisador foi fundamental, já que a psicossomatização de enfermidades na gestação está intimamente ligada aos processos ansiógenos elaborados nas relações sociais ou entre pares, cujas influências interacionais antecederam o desenvolvimento psíquico da gestante desde a infância acarretando no aparecimento das doenças de ordem emocional (Soifer, 1980, Szejer & Stewart, 1997, Winnicott, 1988).

Ao decorrer do estudo nas UBS’s e NASF de um município do centro oeste brasileiro, trabalhou-se a escuta e reflexão psicanalítica junto a oito gestantes e quatro profissionais de saúde, enfatizando a importância do suporte social, da humanização, e dos processos autônomos na gestão da própria relação objetal e existencial. A finalidade era a conscientização e a concretização dos direitos fundamentais quanto a sua saúde biopsicossocial e também quanto à constituição do vínculo mãe-bebê e profissional-paciente, elencando a implicação afetiva das relações tanto gestacional como laboral enquanto potencialidade positiva ou negativa na problemática da saúde pública.

Observou-se através da coleta de dados que a idade média das futuras mães está entre 18-42 anos, e que 50% (4) delas apresentavam faixa etária superior a 30 anos. A média da idade das profissionais ficou entre 31-52 anos, 100% (4) delas apresentavam faixa etária superior a 30 anos, ou seja, das 12 participantes 66,6% (8) estavam na faixa etária superior a 30 anos.

Em relação ao estado civil 100% (8) participantes gestantes afirmaram estar em uma união estável, independentemente de seu estado civil, ou seja; todas possuíam um parceiro fixo. Durante as entrevistas verificou-se nos relatos o quanto a gestante precisa da parceria do companheiro. Uma das participantes expôs suas inseguranças em relação ao marido e apontou como fator ansiógeno a ausência de sua presença no lar. Seu companheiro é caminhoneiro. Outras duas participantes informaram que há anseio pela nova vida e todas as participantes desta pesquisa apontaram como importante a participação do cônjuge nessa nova etapa. Verificou-se, portanto, como Soifer (1998) afirma que as relações conjugais são fator importante que deve ser olhado atentamente, já que tanto homem, como a mulher retomam sentimentos vivenciados na infância projetando no bebê suas frustrações e anseios. Ora o bebê pode aparecer como o algoz da mãe, ora como o algoz do pai.

Para a mãe emergem sentimentos invasivos fantasiosos de que o bebê lhe ataca na intenção de roubar-lhe a vida. Para o pai emergem sentimentos competitivos onde o bebê é o inimigo que roubará de si a esposa.  Por essa razão o suporte social é muito importante porque implica que se acolham individualmente as pessoas mobilizando os recursos psicológicos individuais para que os mesmos administrem seus conflitos emocionais (Ornelas, 1994).

Notou-se que em relação à escolaridade das participantes gestantes apenas, 25% possuíam Ensino Médio Incompleto, ou seja, a maior parte delas, 75%, está em nível de escolarização considerado bom: Médio-Superior. Isso pode ser inferido pela localização geográfica do bairro Izanópolis indicando região urbana periférica, com uma classe de moradores mais escolarizados.

Das doze participantes do espaço amostral 41,66% declararam-se brancas e 41,66% pardas, sendo, portanto, maioria étnica: brancos e pardos.  Isso ocorre pela história das composições étnicas da região leste sul-mato-grossense, em específico na cidade da pesquisa, que é caracterizada segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) como município de prevalência étnica branca e parda. A cor parta se justifica pelas variadas ascendências étnicas existentes na região (Petruccelli & Saboia, 2013).

A maior parte das gestantes 62,5% possui atividade fora do lar. A maior parte das profissionais 75% é atuante no NASF, e 100% participam de interações entre instituições e funções, principalmente em consultas compartilhadas.

Observou-se que 62,5% das participantes estão no terceiro trimestre gestacional que compreende do sétimo ao nono mês gestacional. Esse período gestacional é crucial já que o parto se aproxima e a expectativa de que haverá mudanças na rotina com a chegada do bebê, bem como a possibilidade de o parto ultrapassar a data limite são ameaças constantes no pensamento imaginário da gestante e de seus familiares. Por essas razões é comum que os níveis estressores ressurjam mais intensamente (Soifer, 1980, Szejer & Stewart, 1997).  

Em relação à avaliação de traços e estado das gestantes elencando os fatores positivos verificou-se que sentimentos de insegurança, intranquilidade e cansaço apareceram de forma mais dominante nas entrevistas. Podem-se relacionar esses sentimentos aos momentos vividos pelas gestantes e que antecedem a gestação, já que a maioria está no terceiro trimestre.

Outro fator importante observado e que corrobora para uma melhor análise dos dados é que apesar de relatarem cansaço extremo e intranquilidade a maior parte das gestantes afirmou sentirem-se seguras. Esses dados ambivalentes são indicadores da labilidade do humor durante a gestação, principalmente no período pré-parto quando há insegurança para o nascimento. Chamou atenção, também, a alta porcentagem (87,5%) das gestantes que afirmaram sentirem-se alegres. Correlacionou-se a alegria com as pulsões de vida e expectativas por uma nova vida. É essa pulsão de vida elaborada por Freud que caracteriza o desejo de que as vontades individuais sejam concretizadas na busca do prazer e da satisfação da libido. Sabe-se que na convivência social o instinto só pode se realizar através da organização dos impulsos essa organização assim chamada de consciência social (Oliveira, 2010).

 Existe, portanto, órgãos castradores nessa organização instintual social. A vinda de um filho é a realização desses instintos individuais reforçados pelo desejo social. Daí o motivo de tão grande alegria, pois realiza tanto o desejo individual de tornar-se mãe como o desejo social de aumentar a prole familiar.

Ainda, observou-se que 75% da amostra consideram que estão bem consigo e com os outros. Dados que ainda estão relacionados ao instinto de vida que busca apoio nos vínculos positivos, considerando que na sociedade moderna o cuidado com o corpo, a aquisição de bens e imóveis, pertencer a um círculo social são sinônimos de vida estabelecida e próspera. Logo o conforto e o bem estar são discursos provenientes de uma sociedade que deseja e consome (Oliveira, 2010). No entanto, quando essas expectativas do desejo social não são correspondidas no individual observa-se que o sofrimento emerge em processos ansiógenos, tanto que 30% da amostra de gestantes relatou sentirem-se inseguras, embaraçadas, com humor instável, e preocupadas diante do nascimento eminente de seus bebês.

Vários foram os relatos de aspectos negativos desde a história familiar, onde grande parte das gestantes possui relacionamentos instáveis, com presença de segundo e terceiro relacionamento e filhos, também; fruto de relacionamentos anteriores. Grande parte da amostra relatou incertezas e dúvidas em relação ao futuro, bem como instabilidade financeira e social. Observou-se vulnerabilidade emocional com relato de abortos, doenças psicossomáticas e complicações gestacionais.

Quando analisadas em relação a estar à vontade ou livre para praticar algo 62,5% afirmaram se sentir assim. Observou-se, então, que apesar da assistência médica obstétrica insuficiente as gestantes se apoiam no atendimento da enfermagem e isso lhes traz segurança, já que 100% das gestantes entrevistadas relataram sentirem-se bem e satisfeitas em relação ao serviço da enfermeira: Participante 1. “Ela é melhor que o médico. Fala mais. Orienta”; Participante 2. “Sem palavras. Ela é uma pessoa que deixa a gente muito a vontade. Se pudesse fazer meu parto faria com ela [...]”; Participante 3. “Agradável e tira as dúvidas [...]”; Participante 4 “Dentro do que é, é bom”; Participante 5. “Boa, atenciosa”; Participante 6. “Atende bem. Faz o atendimento todo mês, é preocupada”; Participante 7. “Porque pergunta tudo. Quer saber como estou. Esclarece tudo. Até o que não pergunta.” Participante 8. “Atendimento bom”.

Analisando essas respostas retoma-se a importância do suporte social tão pouco estudado segundo Rapoport e Piccinini, (2006). Entende-se também que existem muitas incongruências sociais e regionalismos e, portanto, o respeito às diversidades são primordiais nas relações humanas. Para que a ajuda seja eficiente é preciso atingir esses saberes próprios de cada indivíduo em suas subjetividades e necessidades pessoais (Maldonado, 2010).

Infelizmente o município estudado possui índices neonatais muito ruins de acordo com indicadores divulgados. Conforme tabela “Coeficiente de Mortalidade 2011-2015” a cada mil nascidos vivos, divulgados em 2016, o índice de mortalidade neonatal fica assim especificado: de 2011 a 2014 os índices ficaram entre 10,3 e 10,8. Em 2015 houve melhora nos índices ficando registrado em 6,8 (SEMADE/MS, 2016). Atualmente os índices de mortalidade neonatal estão registrados em 2017 em 3 (14,3) número absoluto e 2018 em 2 (9,5) número absoluto, sendo que a Região do Mato Grosso do Sul obteve índices gerais em 2017 de 6,40 número absoluto e em 2018 de 6,32 número absoluto (Indicadores-2017-2018). O município em questão possui 20,966 habitantes - Censo 2010 (SEMADE/MS, 2016).

É importante notar que a ausência do atendimento obstétrico de um médico especialista, a ausência de atendimento especializado para alto risco e a ausência de suporte social para o parto humanizado podem ser um catalisador desses índices apontados. Segundo relatos das gestantes e profissionais a maior parte do atendimento de pré-natal é realizado pelas enfermeiras e médicos generalistas.

Durante as entrevistas 87,5% das participantes mostraram-se receptivas ao pesquisador. Isso denota que a escuta é um processo de grande significado e que o acolhimento gestacional é preconizado desse ato, já que como vimos anteriormente os relatos apontam para a boa comunicação e escuta das suas necessidades no atendimento da enfermagem.

Observou-se que sentem falta da escuta e humanização no serviço de psicologia e que segundo a percepção das gestantes está insatisfatório, pois o serviço ocorre em baixa frequência e em grupos numerosos o que dificulta o acesso a esse profissional. Myssior (2007) apontará para essa necessidade quando afirma que o lugar da psicanálise precisa ficar bem claro, já que a mesma leva em conta as realidades vivenciais e as toma por material de trabalho.

Quando avaliadas no aparecimento de intercorrências mais comuns observou-se que das oito participantes, 87,5% relataram sentir enjoos, vômitos e ansiedade. Soifer (1980) afirma que essas vivências são comuns já que o corpo percebe mudanças significativas e através desses sintomas torna a gravidez evidente. Além disso, a ânsia da incerteza torna intensa a vivência persecutória, ideia que retoma o algoz (filho).

Notou-se que a ansiedade, insônia, esquecimento, tonturas, depressão e estresse são sintomas de particularidades emocionais e precisam do atendimento psicológico, denotando a importância desse profissional nas articulações de suporte social as demandas municipais. Já sintomas como azia, constipação, formigamento, inapetência, hipertensão, oscilações de pressão e diarreia apontam para efeitos colaterais de problemas físicos e nutricionais aonde a presença do nutricionista, fisioterapeuta e educador físico são essenciais para as demandas do município.

O índice alto dessas intercorrências psicológicas e físicas no espaço amostral infere lacunas nesse serviço e que se comprovam nas queixas das profissionais em relação às articulações funcionais das equipes no serviço realizadas pela gestão municipal, bem como as condições de trabalho nos espaços públicos, tanto do Nasf como das UBS’s. Observam-se essas lacunas nas seguintes falas: Participante (A) – “Deveriam compor a equipe Nasf mais profissionais como psicólogo e educador físico” e “O apoio matricial psicológico é inexistente”. Participante (B) – “O grupo de gestante do Nasf (por exemplo) se perdeu na licença maternidade. Falta acessibilidade ao local pelas características da gestante física e emocional.”. Participante (C) – “Acho que realizo tudo que a gestão me oferece, mas ainda falta alguma coisa. Exemplo: condução (uso carro próprio), testes (xerocopiados), aplica e precisa rasgar – não compram material atualizado”. Participante (D) – “O trabalho mais aprofundado em confecção de dieta e a prática realizada em oficinas culinárias que poderiam ser realizadas não acontecem”.

Observou-se que poucas participantes tiveram contato com as atividades propostas pela equipe NASF junto às UBS’s. E quando em contato tiveram pouca participação, em média três participações durante todo o processo de atendimento pré-natal. Os motivos alegados são que iniciam o pré-natal mais tarde em média 1,5 mês gestacional, que as reuniões ocorrem uma vez a cada dois meses, pois há rodízio entre as UBS’s atendidas pelo programa, e que a parceria não é feita em todas as unidades já que faltam profissionais para auxiliar na demanda.

Todas as queixas elencadas pela equipe multidisciplinar coadunam com os relatos das pacientes gestantes entrevistadas, pois 75% delas relataram ter percebido mudanças em relação ao corpo e 62,5% afirmaram sentimentos negativos nessa percepção corporal. Encaixam-se aqui as reclamações referentes à obesidade e inchaços. Na análise das ansiedades gestacionais relatadas notou-se que 25% das participantes estão preocupadas com o corpo e as alterações sofridas no período gestacional, sendo que 12,5% expuseram preocupações com o peso corporal.

Nota-se também que 75% das gestantes se descrevem como pessoas intranquilas, o que infere que ansiedades relativas ao humor, insegurança no relacionamento e intimidade sexual, dúvidas no parto e pós-parto, bem como o próprio medo do parto sejam relatados como queixas frequentes pelas profissionais. Nota-se que nessa amostra 87,5% das gestantes estão ansiosas em relação ao futuro reforçando a inferência confirmada nos dados apurados que coadunam com a estimativa de que 87,5% delas relataram sentir ansiedade, 75% insônia, 25% esquecimento e 12,5% tonturas, depressão e estresse, sendo todas essas intercorrências de cunho emocional.

Importante salientar que em relação à insegurança no relacionamento e intimidade sexual, relatados pela psicóloga como queixas mais frequentes, se confirma pela amostra, já que; 62,5% revelaram sentirem medo, bem como ansiedades em relação ao bebê (12,5% dessas preocupações com doença congênita do bebê) e ao marido. Outras 37,5% estão ansiosas com a divisão da atenção dada pelos familiares a elas e ao bebê. Expressaram sentimentos e medo de rejeição 25% da amostra e 12,5% das participantes expuseram medo do abandono e sentimentos de estranheza. Outras 25% relataram que estão preocupadas com os filhos anteriores à gestação atual e as relações interpessoais que envolvem o marido, já que muitas delas estão num relacionamento em que existem filhos de outras relações.

As queixas de náuseas e vômitos relatadas pela enfermeira se confirmam, já que; 87,5% das gestantes relataram sentir enjoos e vômitos. Em relação às queixas expostas pela nutricionista percebeu-se que a hipertensão também se confirma como queixa frequente, pois 25% das gestantes relataram a ocorrência de hipertensão e oscilação da pressão. A queixa de “dores de coluna e pélvica” relatadas tanto pela enfermeira quanto pela fisioterapeuta também coadunam com os coeficientes apurados, já que; 50% das participantes gestantes relataram sentir dor abdominal.

Finalmente, ao analisar-se a categoria Traduções Oníricas (Sonhos e Pesadelos) percebe-se que há presença de sonhos ou pesadelos durante a vivência gestacional, porém não há uma preocupação da equipe multidisciplinar, em particular da área psicológica, em adentrar nas traduções oníricas possíveis que poderiam possibilitar uma melhor compreensão das vivências estressoras e ansiógenas, bem como das emoções experienciadas pela gestante nesse período.

Das oito participantes, 75% relataram ter tido sonhos durante a gestação, sendo que dessas 25% tiveram pesadelos e somente 12,5% sonhos recorrentes. Em relação aos tipos de sonhos ou pesadelos 75% das mães sonhou com seu bebê, em situações diferentes, dada à subjetividade das relações humanas.

Tabela 1

Principais sonhos relatados pelas participantes gestantes e traduções oníricas possíveis realizadas pelas pesquisadoras

GESTANTES

SONHOS

POSSÍVEIS INTERPRETAÇÕES

NOTAS IMPORTANTES

01

Não registra

Resistência em falar de suas intimidades.

A mesma foi pouco colaborativa no processo de entrevista.

02

O bebê nasceu de parto natural e era um menino parecido com o pai.

 

Sentimentos experimentados são de felicidade, um indicativo de que há uma relação boa com o bebê.

Sem conflitos no processo gestacional.

03

O bebê era um menino gordo, branco e grande o que resultou em um coma da mãe.

O bebê traz a mãe consequências negativas (coma). O estado gestacional traz a ela pensamentos persecutórios de um parto sofrível ou traumático.

Conotação de pesadelo. A mãe é uma condicionadora física e postergou a gestação. Muito preocupada com o físico.

04

O bebe estava maior e defecava, tendo a mãe que limpá-lo.

A gravidez cria pelas expectativas ambivalentes em relação as suas competências psíquicas para o cuidado do seu futuro bebê insegurança. Daí a conotação do sonho de já estar cuidando do bebê, ou seja, há insegurança quanto ao período puerperal, por isso denota-se que o bebê já é grandinho.

 

Histórico de depressão pós-parto (gestação anterior). Apresentou um conjunto de sinais e sintomas de queixas psicossomáticas.

05

O bebê tinha o rosto embaçado e a mão pequena.

Sua percepção em relação ao bebê é a de um bebê pequeno do qual não consegue reconhecer a expressão facial “rosto embaçado” e relata sentimentos de felicidade. Inexperiência gestacional revela-se no rosto embaçado (desconhecido).

 

Jovem mãe, primípara que se refere a sonhos bons.

06

Não registra

Ao relatar o estado da gravidez de uma mulher nessas condições remete a angústias não reveladas em conteúdos de sonhos, provavelmente resultante da ambivalência entre o desejo e a realização da maternidade e os possíveis riscos de uma gravidez tardia.

 

Uma mãe madura (42a), com uma gravidez tardia após vinte e três anos da primeira gestação, portanto trata-se de uma vivência impactante onde a gestante refere-se ao susto e ao mesmo tempo ao sentimento de felicidade.

07

O bebê era uma menina

Sonhos recorrentes em que o bebê é do sexo feminino. Ela estava cercada de amigos que eram expectadores do seu bebê. Enfatiza a sensação de alívio em seguida do sonho. Sugere negação da realidade diagnosticada.

É importante informar que essa gestante está grávida de um bebê do sexo masculino e já tem diagnóstico através de exame laboratorial e ultrassom que o mesmo apresenta lábio leporino.

 

08

Não registra

A gravidez é mais um desejo paterno do que dela, dado que ameaça de aborto já não tem mais a conotação de fantasia, é um dado real em sua história de vida.

 

Histórico de abortos recorrentes que promovem baixa expectativa de vida em relação à evolução de sua gestação. Sua fala durante a entrevista apresenta indícios de pouca disponibilidade interna para seguir recomendações médicas em função de seu histórico de risco de abortos.

Nota. Dados colhidos das entrevistas realizadas nas Unidades Básicas de Saúde que dão pistas valiosas de conteúdos psíquicos importantes em intervenções terapêuticas, porém ignorados no atendimento pré-natal pelos profissionais de saúde.

 

Ao desconsiderar esses relatos e possíveis traduções oníricas o serviço terapêutico perde a riqueza de detalhes tão úteis ao auxílio terapêutico necessário nesse momento único da mulher. Em casos terapêuticos é mais importante conhecer as pistas que o material psíquico acidental dos indivíduos dá do que os processos psicossomáticos, pois seria através de uma busca de significados dos sintomas que se chegaria a uma resolução do problema, porém saber os significados não esgotaria o problema (Kaltenbeck, 1990).

Considerações Finais

Através desse estudo compreendemos que, a partir da percepção de profissionais de saúde do município pesquisado e de gestantes do mesmo município, existe muito a ser feito para que os objetivos das políticas públicas de saúde como a humanização, prevenção e promoção da saúde aconteçam de fato.

Constatamos através dos discursos dos profissionais que existe uma preocupação em fazer o trabalho dentro dessas diretrizes, porém há uma ingerência municipal em áreas importantes como locomoção, formação continuada profissional, recursos materiais e políticas inclusivas que atendam bem a população, dando o suporte social necessário.

Por outro lado, a falta de capacitação fica visível no trato com as gestantes que reclamam do serviço público, bem como da dificuldade de acesso aos médicos obstetras e ao serviço de psicologia. Percebe-se que o trabalho acaba ficando muito generalista, focando apenas nos atendimentos mensais, orientações de cartilhas governamentais e encaminhamento ao hospital a fim de darem à luz.

Assim sendo, mesmo que os profissionais percebam níveis de dificuldades nas relações existentes entre a mente e o corpo e nos processos psicossomáticos; também reconhecem que existe uma carência de fundamentação teórica e aperfeiçoamento profissional, já que essa temática não é muito estudada nas graduações. Por essa razão identificam-se falhas no atendimento das pessoas com queixas visivelmente psicossomáticas. O que prevalece são os encaminhamentos ao psicólogo ou psiquiatra sem uma aproximação interdisciplinar, apesar de ser uma equipe multidisciplinar.

Defendemos, finalmente, que haja um debruçar maior sobre os conteúdos oníricos, bem como emocionais e socioculturais dos indivíduos gestantes que participam do serviço de saúde pública coletiva. Defendemos um aprofundamento do saber psicossomático com ênfase na prevenção, reabilitação e tratamento das doenças considerando de forma ampla as variáveis psicossociais que permeiam os indivíduos, contando com uma imprescindível avaliação interdisciplinar que abarque todos os fatores que os envolvem: condições sociais, culturais, políticas, econômicas e emocionais.

Somente a partir de um replanejamento das prioridades municipais nessa área é que haverá possibilidade de obtenção de melhores resultados, não que esses não sejam bons. Afinal, neste contexto, todos os indivíduos cidadãos estão sujeitos de alguma forma a exibirem algum tipo de sofrimento de ordem psicossomática.

REFERENCIAS

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[i] BONASSI, Silvia Maria. : Psicóloga, Professora Efetiva (DE) junto à Fundação Universidade de Mato Grosso do Sul (UFMS) – Unidade de Paranaíba – (CPAR). Doutora em Engenharia Biomédica pela Universidade Camilo Castelo Branco. Endereço: Rua David Arneiro, 14 – Conjunto Antônio Brandini, Fernandópolis - CEP 15600-000. Email: silviabonassi@gmail.com Fones: celular (17) 99623-1244 residencial (17) 3442-3491.

 

[ii] MELGACO, Damaris Alcidia da Costa. Pedagoga, Graduanda do 7º semestre em Psicologia pela Fundação Universidade de Mato Grosso do Sul (UFMS) – Unidade de Paranaíba – (CPAR). Endereço: Rua Doutor Manoel Tomas da Silva, nº 386 – Bairro Centro – Cassilandia/MS. CEP 79500-000. Email: melgacodamaris@hotmail.com  Fones: celular (35) 99189-6502.

 

 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Questões Contemporâneas sobre Liderança - Capítulo 12]:

A confiança: é a pedra fundamental da liderança, as pessoas só seguem e se deixam influenciar por um líder em quem confiam. “É uma expectativa positiva de que a outra pessoa não irá agir de maneira oportunista - seja por palavras, ações ou decisões.” A confiança é um atributo essencial associado a liderança. Existem três tipos de confiança nas relações organizacionais: 1) baseada na intimidação – relações mais frágeis, medo de represálias, 2) baseada no conhecimento – a previsibilidade de comportamento é a sua base que resulta de um histórico de interações e 3) baseada na identificação – permite que uma parte faça às vezes da outra e a substitua nas relações e transações interpessoais. 

Princípios Básicos da Confiança: a confiança aumenta a coesão e a desconfiança destrói o grupo. Geralmente ela reduz a produtividade. A desconfiança destrói a confiança, pois a confiança gera confiança. O crescimento do grupo muitas vezes mascara a desconfiança, portanto a redução de pessoal testa o mais alto grau de confiança. 

Dimensões da Confiança: integridade: honestidade: confiabilidade. São quatro as dimensões da confiança: 1) competência – habilidade e conhecimento técnico e interpessoal do indivíduo, 2) consistência – segurança, previsibilidade e capacidade de julgamento, 3) lealdade – disposição de proteger e defender outra pessoa e 4) abertura – você acredita que outra pessoa tem total confiança em você? 

Líder Carismático: este tipo de líder possui cinco características evidentes: 1) Visão e articulação: visão (meta idealizada que propõe um futuro melhor); 2) Risco pessoal: esses líderes estão dispostos a correr riscos pessoais, sofrer altos custos e submeter-se ao sacrifício para atingir sua visão; 3) Sensibilidade ao ambiente: avaliações realistas das limitações ambientais e dos recursos necessários para a mudança; 4) Sensibilidade para as necessidades dos liderados (são perceptíveis em relação às suas capacidades e e sensíveis às suas necessidades e sentimentos) e 5) Comportamentos não-convencionais (engajam-se em comportamentos percebidos como novidade e que vão contra as normas). Os seguidores do líder atribuem a ele capacidades heroicas ou extraordinárias de liderança quando observam determinados comportamentos. Como conselheiros, oferecem apoio e ajuda para forjar a autoconfiança deles “É uma expectativa positiva de que a outra pessoa não irá agir de maneira oportunista- seja por palavras, ações ou decisões.” 

A Influência nos liderados: Geralmente possuem uma visão atraente (desafiadora, mas não impossível) e inspiram os liderados a segui-lo apostando num presente versus um futuro melhor para a organização; tendo confiança no alcance das metas; inspirando um novo sistema de valores e um comportamento a ser seguido e instigando o autossacrifício e comportamentos não convencionais. Os prós e contras deste tipo de liderança são: 1) Liderança carismática versus alto desempenho e satisfação, 2) Pessoas motivadas, gostam e respeitam o seu líder e sentem mais satisfação, 3) Nem sempre é necessária para atingir o alto desempenho - não pode ser generalizado e 4) Carisma - interesses pessoais versus interesses organizacionais. 

Líderes Transacionais e Transformacionais: Líderes Transacionais: Este tipo de liderança conduz ou motiva seus seguidores na direção das metas estabelecidas por meio do esclarecimento dos papeis das exigências das tarefas. Líderes Transformacionais: Este tipo de liderança presta atenção às preocupações e as necessidades de desenvolvimento de cada um de seus liderados; modificam a maneira de seus seguidores verem as coisas, ajudando-os a pensar nos novos problemas de uma forma; são capazes de entusiasmar, incitar e inspirar as pessoas a darem o máximo de si na busca dos objetivos do grupo. Existem quatro características que diferenciam esses tipos de lideranças: 1) Enquanto o líder transacional recompensa contingente negociando a troca de recompensas por esforço, prometendo recompensar pelo bom desempenho e reconhecer as conquistas o líder transformacional oferece uma visão e o sentido da missão estimulando o orgulho e ganhando o respeito e a confiança. 2) Enquanto o líder transacional administra por exceção (ativa) procurando e observando desvios das regras e padrões, tomando as atitudes corretivas; o líder transformacional inspira comunicando suas altas expectativas, utilizando-se de símbolos para focar os esforços, expressando propósitos importantes de maneira simples, 3) Enquanto o líder transacional administra por exceção (passiva) intervindo apenas quando os padrões não são alcançados; o líder transformacional estimula o intelecto promovendo inteligência, racionalidade e a cuidadosa resolução de problemas e 4) Enquanto o líder transacional laissez-faire abdica de suas responsabilidades evitando a tomada de decisão; o líder transformacional considera o individual dando atenção personalizada, tratando cada funcionário individualmente, aconselhando e orientando. 

Enquadramento: É uma forma de os líderes influenciarem a maneira como os eventos serão vistos e compreendidos. Os lideres usam o enquadramento (incluindo ou excluindo fatos seletivamente) para influenciar a maneira como as outras pessoas vêem e interpretam a realidade. 

Líderes de Equipe: Um bom líder é aquele que consegue bons resultados, através do desempenho de sua equipe, incentivando o crescimento e preservando a harmonia e o bem estar do grupo. O papel do líder é fundamental no gerenciamento do capital humano e é por esse motivo que existe uma expectativa muito grande quanto ao desempenho desse profissional. Variáveis individuais, organizacionais ou relativas ao trabalho podem substituir um líder. 1) Seleção: testes de personalidade (extroversão, consciência, abertura para novos desafios). 2) Capacidade de auto monitoramento (capacidade de se ajustar diversas situações), 3) Inteligência emocional e 4) Entrevistas: avaliação de desempenho anteriores, habilidades verbais e traços de extroversão. São quatro os papéis dos líderes: a. Elemento de ligação com os componentes externos, b. Solucionadores de problemas, c. Administradores de conflitos e d. Treinadores. * Pessoas motivadas, gostam e respeitam o seu líder e sentem mais satisfação. 

Papel do Mentor: O papel do mentor inclui instrução, o aconselhamento e o patrocínio. Como instrutores os mentores ajudam a desenvolver as habilidades de seus prodígios, promoções e aumento salarial. Como conselheiros, oferecem apoio e ajuda para forjar a autoconfiança deles. Com o papel de patrocinadores eles intervêm ativamente em prol dos seus protegidos, buscando obter para eles as atribuições de destaque e usando a política para lhes conseguir promoções e aumento salarial. 

Liderança on-line x face-a-face: Na comunicação face a face, as palavras mais duras podem ser suavizadas por ações não verbais. Um sorriso e um gesto de conforto, por exemplo, podem minimizar o choque causado por termos como desapontamento, insatisfatório, inadequado ou abaixo das expectativas. Esse componente não verbal não existe nas interações online. A estrutura das palavras na comunicação digital também tem o poder de motivar ou desmotivar o receptor. O líder precisa se certificar de que o tom da mensagem reflete as emoções que ele pretende expressar. Deve haver tais questionamentos: 1) - A mensagem é formal ou informal?, 2) - Ela combina com o estilo verbal do emissor? 3) - Ela transmite o nível apropriado de importância ou urgência? Uma mensagem transmite mais do que informações superficiais. Do ponto de vista da liderança uma mensagem pode transmitir confiança ou desconfiança, status, orientação de trabalho ou sentimentos. Conceitos como estrutura do trabalho, comportamento apoiador e visão podem ser transmitidos tanto oralmente como por escrito. O que é necessário para exercer liderança online eficaz? Fazer a escolha correta sobre as palavras, a estrutura, o tom e o estilo de suas mensagens digitais. Fazer com que se desenvolva a habilidade de “ler nas entrelinhas” as mensagens que recebem. Da mesma forma que a inteligência emocional melhora a capacidade do sujeito de monitorar e avaliar as emoções das outras pessoas, os líderes online eficazes devem ser capazes de decifrar os componentes emocionais das mensagens. 

Análise Crítica 

O texto apresentou as diversas formas de liderança e a importância da mesma nos processos de confiança de um grupo que afeta a produtividade e os níveis de satisfação do mesmo. A liderança é importante à medida que esta se coloca na mediação do que realmente importa para o bem estar dos seus liderados. Atualmente, as políticas empresariais tem-se colocado numa posição mais “acolhedora” dos componentes de sua equipe e mais flexíveis em relação aos horários, tempo e metas no trabalho. Isto denota uma preocupação com o bem estar. O que criticamente precisamos analisar é se estas formas de amenizar o trabalho, realmente são essenciais para o trabalhador ou apenas um mascaramento das exigências mercadológicas que tem por metas a competitividade e a maior produção. 

No tocante as armadilhas presentes na corporação, o pseudoacolhimento disfarçado de benefícios, precisam ser estudadas por um olhar crítico, já que o incentivo e a inspiração de lideranças carismáticas e transformacionais formam a ideologia do muito fazer para então receber. O problema é que o trabalhador encantado pelas futuras promoções se aplica intensamente nas tarefas e cumprimentos de metas, trabalhando mais que o recomendável, sobrecarregando a vida laboral em detrimento a outras atividades como lazer e família. 

Este é o estado de alienação expresso em Marx, em que o cidadão vende a sua força de trabalho a baixo preço, enquanto engordam os burgueses. O neoliberalismo campeão em promover estes encantamentos aliciam pessoas no seu sistema recompensador que mais extrai do que dá. A pessoa acredita que está ganhando as benesses como recompensa de seu trabalho, mas o que ela usufrui é um mínimo daquilo que realmente produz. É a velha máxima do “põe o sapo em água morna até que cozinhe sem ver”. 

Referências Bibliográficas 

Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall.

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Abordagens Básicas sobre Liderança - Capítulo 11 – p. 257- 270]:

O que é liderança? É diferente de administração, pois envolve o enfrentamento da mudança enquanto administração é o enfrentamento da complexidade. O líder aponta metas futuras e engaja pessoas nessa visão através da comunicação sendo inspiração para a superação de obstáculos. Embora haja esta distinção entre as duas pesquisadores e executivos raramente fazem esta distinção. Então a definição de liderança é a capacidade de influenciar um grupo para alcançar metas. Nem todo administrador é líder e nem todo líder é um administrador. Líderes surgem de forma natural dentro de um grupo ou por indicação formal.
 
Teoria dos Traços (1930): Utilizada para definir características de liderança. Em pesquisas percebeu-se que uma das maiores características é a extroversão, porém muitos líderes a usam para atrair para si a sua vontade o que não implica que líderes com características de líder sejam eficazes. Conclui-se que as características de traço são determinantes do perfil de líder e eficazes para prever o surgimento de um líder, mas não para distingui-los em eficientes e não eficientes e que o fato de terem estas características não significa que serão bons líderes e que atingirão os objetivos para o grupo. 

Teorias Comportamentais (anos 40, década 1960): surgem pelas falhas dos traços. É a analise do comportamento da liderança em busca de especificidades no modo de se comportarem. As diferenças básicas entre a teoria de traços e a comportamental é que a primeira acredita no inatismo das qualidades de liderar e a segunda na formação de líder por contingências (programas para implantar comportamentos padrões). Alguns estudos foram feito dentro destas propostas:

 Estudo da Universidade Estadual de Ohio: buscaram identificar dimensões independentes do comportamento do líder e chegaram a duas categorias: estrutura de iniciação e estrutura de consideração. A primeira se refere em como o líder consegue definir e estruturar seu papel na liderança e o dos funcionários na busca dos objetivos. A segunda, estudou como o líder é capaz de manter as relações no trabalho como, confiança mútua, respeito as ideias de outrem e cuidado com os sentimentos alheios. Muitas pesquisas indicam que lideres com maior índice de consideração e iniciação conseguem obter melhor desempenho e satisfação dos funcionários do que os que possuem índices baixos.
 
Estudos da Universidade de Michigan: objetivaram estudar as características de liderança em relação com o desempenho eficaz e chegaram a duas dimensões: orientação para o funcionário e orientação para a produção. A primeira dá ênfase às relações interpessoais, isto significa que líderes voltados a esta dimensão demonstram interesse pessoal nas necessidades de seus funcionários. A segunda enfatiza os aspectos técnicos e práticos do trabalho. Isto significa que líderes com tendência a esta dimensão preocupam-se com as metas e a execução de tarefa e não com os seus membros. O estudo concluiu positividade para os líderes com orientação para o funcionário e negativo para o de produção, cujos resultados são baixo índice de produtividade e satisfação. 

O Grid Gerencial ou de Liderança: a partir dos estudos anteriores propôs 81posições diferentes para os estilos de liderança. Não mostra os resultados do líder, mas os fatores dominantes na forma dele pensar os resultados. Estudos Escandinavos (Finlândia e Suécia): especulam a existência de somente duas dimensões. Num mundo moderno, o comportamento deve voltar-se ao desenvolvimento. Liderança inovadora com novas maneiras de fazer as coisas, novas abordagens na resolução de problemas e incentivo a iniciar novas atividades. Os resultados foram estudos posteriores que coadunaram para a existência desta terceira dimensão. 

Teoria das Contingências: a impossibilidade de obter resultados levou a pesquisa sobre as influências da situação. Relação entre estilo e eficácia em determinada situação (a) podem apresentar resultados (b) ou (c). O modelo de Flieder: a eficácia do desempenho do grupo depende da adequação entre o estilo do líder e o grau de controle da situação. O fator essencial para o sucesso é o estilo de liderança. Ele criou o formulário do colega menos preferido (LPC) para descobrir o estilo básico de líder. Após a aplicação ocorre a definição da situação: a) relação entre líderes e liderados, b) estrutura da tarefa e c) poder da posição. Então, avalia-se a situação em relação a estas três variáveis contingenciais. Com os resultados é proposta a avaliação das variáveis e a adequação entre eles para chegar-se ao máximo da liderança eficaz. 

Teoria do Recurso definitivo: é a reconceitualização da mesma teoria com enfoque no estresse (como desvantagem situacional) e na reação do líder frente ao estresse (avaliação da experiência e da inteligência no enfrentamento do estresse). A teoria situacional de Hersey e Blanchard: teoria contingencial com foco nos liderados. O nível de prontidão dos liderados influi no estilo de liderança, pois são eles que aceitam ou não o líder. Esta teoria percebe a relação líder-liderado. 

A teoria da troca entre líder e liderados: argumenta que pela pressão do tempo o líder estabelece relação com um pequeno grupo (de dentro ou de confiança). Logo no inicio o líder já categoriza os de dentro e os de fora. Geralmente por afinidades ou por nível de competências. São as características dos liderados que conduzem esta decisão do líder e os de dentro acabam por receber mais vantagens. A teoria da meta e do caminho: é função do líder ajudar os subordinados a alcançarem as metas e dar orientação e apoio para assegurar que as metas sejam compatíveis com os objetivos organizacionais. Líderes eficazes abrem os caminhos para a efetivação das metas numa jornada mais fácil e com menos obstáculos. 

São 4 os comportamentos de liderança (House): líder diretivo; líder apoiador, líder participativo e líder orientado para a conquista. Pressupõe que os líderes são flexíveis podendo mostrar qualquer destes comportamentos. São propostas duas classes de variáveis contingenciais ou situacionais: ambientais e individuais. A primeira determina o tipo de comportamento esperado do líder e a segunda como o ambiente e o comportamento do líder são interpretados. O modelo de participação e liderança: relaciona o comportamento de liderança com a participação no processo decisório. O comportamento do líder deve se ajustar a estrutura da tarefa. Incorpora sete contingencias e cinco estilos de liderança. A desvantagem é que este modelo é muito complicado para ser usado por lideranças administrativas. É um modelo sofisticado, porém muito complexo (crítica). 


Análise Crítica 


O texto apresenta o papel da liderança e todos os modelos desenvolvidos em pesquisa que relacionam as articulações entre liderança e liderados. Apresenta os modelos da Teoria de Traços e Comportamentais. Percebe-se que há uma grande influência da abordagem behaviorista nas relações de trabalho. Esta teoria tende a reforçar estudos adaptativos e de ordem funcional e prática objetivista a serviço da organização. Não se percebe movimentos críticos das relações interpessoais apresentadas na teoria. Apenas a corroboração de técnicas e meios para manutenção de um melhor status quo profissional, traduzido na “liderança eficaz” que serve aos mecanismos de produção do capital. 


Referências Bibliográficas 


Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall.

Síntese do Texto [Robbins, S. P. Comunicação - Capítulo 10 – p. 231- 255]:

Funções da Comunicação: são quatro: 1) Controle tanto da organização quanto dos colegas. Formalmente quando é informado que todo problema deve ser comunicado e informalmente quando pela reclamação há o controle do comportamento do colega no processo grupal. 2) Motivação através da comunicação do desempenho profissional e de como melhorá-lo, das metas e do nível de satisfação. 3) Expressão emocional: há comunicação entre pares de sentimentos e frustrações em relação ao trabalho. 4) Informações: há comunicação de dados necessários para a tomada de decisão. Toda comunicação dentro de um grupo é importante e abordam dentro de si estas quatro funções, portanto não há uma mais importante.
O processo da Comunicação: Mensagem para ser transmitida exige fonte (emissor-receptor), codificação (interpretação) e transmissão (via canal de mídia). São sete os processos da comunicação: 
Fonte: Imagem extraída da p.233 

A fonte inicia a mensagem do pensamento. A fala é a mensagem. O canal formal é a forma como a mensagem será transmitida na empresa. O canal informal é a forma social e individual de comunicação entre pares na empresa. O receptor recebe a mensagem do emissor e para tal os símbolos e significados precisam estar decodificados. O ruído é tudo o que cria barreira à comunicação (muita informação, linguagem e cultura). O feedback é a maneira como avalia-se se a comunicação foi perfeita em sua transmissão. 

Direção da Comunicação: divide-se em vertical ou horizontal: a vertical em ascendente e descendente e a horizontal em lateral. A comunicação descendente são as comunicações de chefias (de cima para baixo) e podem ser impessoais por correspondências eletrônicas e comunicados. As ascendentes são as comunicações dos funcionários às mais altas hierarquias (de baixo para cima) e servem para manter a chefia informada sobre os problemas e os níveis de satisfação em relação ao trabalho e a organização, geralmente comunicados por relatórios, pesquisas, caixa de sugestões, etc. A comunicação lateral ocorre entre membros de um mesmo grupo ou grupos de um mesmo nível, serve para facilitar as atividades entre pares, porém pode ser boa ou ruim para as chefias porque pode criar conflitos quando há o corte dos canais formais interrompendo a comunicação formal podendo pegar as chefias, de surpresa, em importantes decisões. 

Comunicação Interpessoal: a forma como as pessoas trocam mensagens ocorre de três maneiras: oralmente, por escrita e não verbalizada. 1) Comunicação oral: palestras e debates são vantajosos porque são rápidas e tem feedback em curto prazo. A desvantagem pode ser a intercomunicação por muitas pessoas o que facilita distorções da mensagem inicial. 2) Comunicação escrita: memorandos, cartas, e-mail, fax, jornal, informativos e murais são verificáveis e podem ser registradas. As vantagens são o cuidado com as palavras na comunicação, sendo mais clara e lógica. As desvantagens estão relacionados ao tempo gasto na elaboração escrita e o feedback ausente. 3) Comunicação não-verbal: movimentos corporais, entonação da voz e o distanciamento físico também comunicam sentimentos, pensamentos e mensagens. Existem duas mensagens importantes enviadas pelo corpo: 1) se uma pessoa gosta da outra e 2) o status estabelecido na comunicação. 

Comunicação Organizacional (redes formais, redes de rumores e meios eletrônicos). 1) Redes formais em pequenos grupos: são do tipo em cadeia que segue a cadeia formal. 1) tipo cadeia obedece 3 níveis rígidos e este tipo é preciso; 2) tipo roda: a comunicação grupal depende do líder e este tipo facilita a emergência do líder e 3) tipo todos os canais: não centraliza a comunicação num líder, mas circulariza a informação entre todos do grupo e este tipo satisfaz os membros. 

Fonte: Imagem extraída da p.238 

Rede de Rumores (sistema informal): possui três características: 1. Não é controlada pela chefia, 2. Tida como confiável e fidedigna pelos funcionários, mais que a formal e 3. Muito utilizada por interesses pessoais. Pesquisas demonstram que 75% das informações provenientes desta rede são verdadeiras. Não se trata de fofocas, mas de informações importantes para as pessoas, na presença de comunicação ambígua e que causam ansiedades. O que a mantém são o ambiente incerto e a ansiedade. É importante para as chefias porque filtram e dão feedback de situações relevantes, podendo ser um modo de tradução da comunicação formal para a linguagem do grupo. 

Comunicação Eletrônica (e-mail, redes intranet e extranet, vídeos conferências, etc.). Esta comunicação reduziu o número de memorandos e papeladas, pois; via e-mail, as correspondências chegam mais rápido entre computadores, facilitando a comunicação entre grupos, fornecedores, clientes, chefias, etc. As desvantagens do uso da internet são a possibilidade de desvios do trabalho para assuntos de interesse pessoal, a ausência do emocional e do conteúdo não-verbal, a facilitação de conflitos, já que escreve-se com maior facilidade o que não se tem coragem de dizer face-a-face. As mensagens instantâneas também estão presentes nas corporações. Escolhem-se pessoas em tempo real e emite-se um e-mail a todos ao mesmo tempo e é ótimo para as mensagens curtas. Redes intranet e extranet: a rede intranet é muito utilizada dentro da organização e agiliza comunicação eletrônica e telefônica via banda larga. A rede extranet conecta a organização aos principais fornecedores, clientes, e parceiros estratégicos. Videoconferência: Utiliza-se da intranet e extranet para realizar reuniões com pessoas em lugares diferentes. 

Gestão do Conhecimento: processo de organização e distribuição do saber coletivo da empresa, fazendo com que a informação chegue à pessoa certa, no momento certo. Vantagens competitivas e funcionários mais preparados. Há três razões do por que esta comunicação é importante: 1. Os ativos intelectuais são tão importantes quanto os físicos e financeiros, 2. Aproveitamento da riqueza de conhecimento ofertado pela nova geração e 3. O bom planejamento do conhecimento evita a redundância e organiza melhor a empresa. 

Escolha do Canal de Comunicação depende da mensagem que será enviada, se rotineira são diretas e menos ambíguas, se não rotineiras tendem a ser mais complicadas podendo ocorrer erros de transmissão, por isto a escolha dos canais de transmissão são muito importantes. 

Barreiras para a Comunicação Eficaz: são elas, filtragem, percepção seletiva, sobrecarga de informação, emoções, linguagem e medo da comunicação. 

Questões Atuais na Comunicação: 

Barreiras de comunicação entre homens e mulheres: a questão do sexo gera barreiras na comunicação oral, porque homens através da conversa reafirmam seu status e as mulheres criam conexão. As queixas são referentes à necessidade de falar pertinentes as mulheres e a falta de paciência dos homens em ouvir o que as mulheres têm a dizer. Homens são mais diretos que as mulheres, para os homens mulheres tendem a dissimulação por não irem direto ao ponto. Homens tendem dar a mulher características de fraqueza, menos autoconfiantes ou competentes. Esta pesquisa clássica generaliza e não é aceita como uma ideia para todos (Deborah Tannen). 

Silêncio como comunicação: o silêncio pode ser uma forma poderosa de comunicação, porque pode significar que alguém está reflexivo sobre algo, com medo de expressar-se, ansiosa, em concordância, em divergência, em frustração, em raiva. Há ligações entre o silêncio e o comportamento no trabalho e; deixar de prestar atenção aos silêncios em uma conversa de trabalho é perder uma parte vital da mensagem. Muitas vezes, a verdadeira mensagem da comunicação, está escondida no silêncio. 

A comunicação “politicamente correta”: certas palavras podem intimidar, ofender e fazer manutenção de estereótipos, por isto deve-se escolher um vocabulário não ofensivo. No entanto há críticas sobre o politicamente correto, já que este reduz o vocabulário e torna a comunicação mais difícil. 

Comunicação multicultural: um gesto agradável de uma cultura pode se tornar ofensivo e desagradável em outra. Barreiras culturais: prejudicam a comunicação pela linguagem. Barreiras semânticas: palavras têm significados diferentes. Barreiras causadas pelas conotações: as palavras têm implicações diversas nos diversos idiomas. Barreiras causadas pelas diferenças de entonação: às vezes a entonação depende do contexto. Barreiras causadas pelas diferenças de percepção: idiomas diferentes veem o mundo de forma diferente. Contexto Cultural: As culturas diferem quanto a influencia do contexto sobre o significado daquilo que é dito ou escrito. Um guia cultural: 1. Suponha que haja diferenças até que a similaridade seja comprovada, 2. Procure se ater a aspectos descritivos, em vez de interpretações ou avaliações, 3. Busque a empatia e 4. Trate suas interpretações como uma hipótese de trabalho. 

Análise Crítica 

A comunicação dentro das organizações tem funções específicas, é um processo que implica a presença de canais formais e informais, a diretividade da comunicação sendo esta interpessoal e organizacional. Ela possui uma rede de informações e instrumentalizações comunicativas. Ela abarca a gestão do conhecimento e como este será transmitido. Os processos comunicativos enfrentam barreiras que impedem a sua eficácia como filtragem, percepção seletiva, sobrecarga de informação, emoções, linguagem e medo da comunicação, diferenças de gênero e questões culturais. 

Diante do capítulo exposto chama atenção as questões de gênero como barreiras na organização para o trabalho. A pesquisa referenciada é reafirmadora de estereótipos culturais estabelecidos entre sexos. A psicologia organizacional precisa estar atenta a estas questões na atualidade, porque elas não implicam somente na desvalorização do trabalho feminino, mas também na exclusão de pessoas com diversidade sexual das atividades laborais. Pesquisas atuais apontam, em 2020, aumento da violência e de mortes das pessoas transexuais e travestis. Dados da Antra (2020) informam que muitas destas pessoas não são aceitas nas organizações do país, sendo marginalizadas e jogadas no desemprego. Por consequência elas apelam à prostituição, já que não possuem nenhuma legislação que lhes garanta o acesso ao emprego (Antra, 2020). 



Referências Bibliográficas 

Robbins, S. P. (1943/2005). Comportamento Organizacional. (11ª Ed). São Paulo, Pearson Prentice Hall. 

Antra - Associação Nacional de Travestis e Transexuais. (2020). Assassinatos contra travestis e transexuais brasileiras em 2020. Boletim nº 04/2020 - 01 de janeiro a 31 de agosto de 2020. Recuperado de https://antrabrasil.files.wordpress.com/2020/09/ boletim-4-2020-assassinatos-antra-1.pdf.

 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Inovações Tecnológicas e a falácia da Educação Interativa

As últimas configurações sociais mostram-se cada dia mais "revolucionárias" às avessas, claro! A epidemia Covid-19 trouxe junto com ela algumas bagagens ideológicas, haja visto que somos uma ordem mundial com vistas a soberania estatal do lucro e da efusiva lógica de teor psicológico do seja "proativo"! 

Nesta perspectiva de fundo neoliberal àquele que não se reinventa se trumbica, como já dizia o velho guerreiro Chacrinha! O exorcismo social propõe a todo custo a expulsão das ideias comunistas. Quem já não ouviu a célebre frase: "Isto é coisa de comunista". Parece que os avanços sociais que levaram a população brasileira a pensar sobre educação e as mais insalubres formas de alienação, atualmente; ganham a caracterização de expurgo. 

Daí a necessidade de acabar com a educação formal, aquela presencial, do cara a cara, lugar de autonomia educacional. É claro que não somos ingênuos em acreditar que este é o fator primordial das orquestrações políticas mundiais. Isso seria reducionista.

Pela lógica do capital, a exploração é a máxima e, isto; cabe dentro da proatividade em tornar tragédia em LUCRO. Historicamente, nas várias sociedades quando havia a presença de grandes catástrofes que de alguma forma promoviam situações de problemáticas grupais sem controle, observava-se, na forma como as sociedades se envolviam para buscar soluções, uma pauta que envolvia um compromisso ético e uma ação política de ações coletivas. Isto na atualidade não é observado ou comum, já que sob a égide do capital enxerga-se os momentos de fragilidade coletiva como um "produto social". Isto significa que as promessas de controle são pautadas na venda de ilusão de possíveis soluções que sempre estão a serviço dos ideais das forças produtivas (Valêncio, 2011).  

Nada mais ilusório do que as soluções encontradas nas novas tecnologias. E mais uma vez vence a lógica da exploração social das tragédias. A educação tem sido enredada por esta infelicidade. Observa-se que as universidades privadas sempre na busca do maior lucro abocanharam com força o momento, oferecendo ensino EAD com o mínimo aproveitamento, mas com o maior lucro, já que não diminuíram as mensalidades. 

Algumas Universidades na pachorra dos lucros, diminuíram a mão de obra demitindo em massa funcionários, entre eles muitos professores. Propuseram aulas nacionais com salas virtuais comportando mais de hum mil alunos, e um único professor. Provas em salas de aula Google, Teams, etc. Plataformas digitais ganharam espaço, Zoom, Skype, Wattsapp, etc. Os alunos fingiram que aprenderam e os docentes que ensinaram. E na lógica do lucro, vale manter o idiota "idiotizado". No país dos bobos de número zero em educação! 

E a educação pública como fica? Na política dos estados alunos perderam o ano, mas a ilusão de que nos próximos dois tudo estará recuperado é vendido aos borbulhões. E há quem acredite! Pior! As Universidades federais, estaduais ganharam o status de novas habilitadas para o ensino virtual! Em nome da proatividade, professores tiveram que se reinventar. Ou reinventa, ou perde alianças, investimentos. 

No caminho da inclusão digital, ninguém lembrou que nesse país de desigualdades, tem acesso à educação quem tem o mínimo de estrutura financeira para acessar as plataformas digitais. Ignoraram o pobre provedor de família, mãe, mulher, guerreira que acorda de manhã às cinco e só volta às dezenove horas pra casa. Ignoraram as realidades de inacesso a tecnologia, ao computador, a internet e por aí vai. Ignoraram a fome, a miséria, o analfabetismo funcional.

Que país é esse? O país dos burgueses de colarinho branco! Dos impunes! Dos reacionários! O país da miserabilidade econômica! O país que brinca de ser Estados Unidos da América! Uma ode a derrocada educacional comemorada com taças de champanhe e caviar! 





domingo, 25 de outubro de 2020

É sobre pedagogia, didática e atuação profissional que queremos falar?

A história da pedagogia é longa e passou pela influência de muitos períodos históricos, ideologias dominantes e imposições metodológicas. Assim como as matrizes psicológicas tiveram suas influências político-sociais, os paradigmas pedagógicos também o tiveram.

A questão metodológica da educação está que nenhuma metodologia está imune as ideologias vigentes na sociedade. O problema que envolve a didática e a formação profissional do pedagogo ou professor está intimamente atrelada às suas próprias concepções de ensino, claro que estas foram aprioristicamente apropriadas da interação social, política e cultural de sua experiência comunitária.

Durante muito tempo houve embates entre duas correntes principais: uma tradicional datada de longas datas, desde os tempos mais clássicos e uma revolucionária que buscou retirar da mão do educador ou mestre o poder central, dando ao aluno um maior poder. 

Os que se aproximam da referência mais clássica e tradicional expõem claramente que ainda acreditam na premissa do mestre e do discípulo. Talvez eles se contorçam na cadeira por esta ideia, mas o mestre era aquele que detinha o saber maior e por detê-lo traziam consigo uma fila de discípulos aprendizes, seguidores fiéis.

O mestre não podia ser questionado, já que era dotado de status quo - superioridade - uma certa deidade a ser imitada, seguida. A educação tradicional sempre teve este status. O aluno é apenas um mero aprendiz e seu professor o mestre - dotado de todo o saber. 

Esta questão relevante na educação faz-nos pensar um certo narcisismo da inquestionabilidade, bem contrária a dialética que propõe os embates provenientes da contradição. Só para pensar...

Pensando a dialética, não seria mais propício os diálogos existentes entre os mestres e os aprendizes do que a imposição de ideologias? A moeda tem dois lados. Se de um lado a hegemonia estatal capitalista detêm o poder e impõe o conhecimento sob seu viés, também do outro lado a sociedade sob os prismas socialistas impõe a sua ideologia. Data vênia relembrar a história das tentativas desastrosas desta forma de fazer governo na história, não que estas tenham sido piores que os estragos do capitalismo, mas também não foram as melhores.

Tanto o capitalismo quanto o socialismo partem de premissas básicas: alguém detém o poder. É fato... Não gostamos de falar sobre a perda da autonomia em ditaduras que impõem heteronímia humana?

Educar deveria ser um ato revolucionário a medida que agrega valores nos saberes, não retirando do professor a sua condição de mestre e de aprendiz. Isso, meus caros, é práxis. Nem mesmo os grandes mestres detinham todo o "saber". O conhecimento e a prática são geratriz de muitos outros aprendizados.

O educador que toma para si a arrogância da inquestionabilidade, ganha discípulos mudos, sem personalidade. Ganha papagaios de pirata que repetem seus ditos. O verdadeiro educador ensina pensar. E é pensando que se aprende a ter consciência reflexiva, de uma filosofia da práxis, mesmo que este aprendiz discorde de ti. E será pela dialética argumentativa que outros saberes se construirão. 

  Namastê :)




13 motivos pelos quais não voto em Bolsonaro

Eu não voto em Bolsonaro por uma questão que, para mim, vai muito além de simpatia ou antipatia por uma pessoa. Meu voto é uma escolha de pr...